Aos 82 anos, morre um provocador de generais

HERMANO ALVES 1928 - 2010[br][br]Deputado pelo MDB, cassado e exilado, jornalista foi cremado ontem em Lisboa

, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2010 | 00h00

"Para mim, o ano de 1968, pontilhado de incidentes, transformou-se na longa e ansiosa espera do inevitável. Eu previra um golpe entre setembro e dezembro daquele ano". Assim o ex-deputado do antigo MDB e jornalista Hermano de Deus Nobre Alves se lembrava, em relato ao Estado ? onde trabalhou, como correspondente em Londres, entre 1977 e 1978 ? do grande episódio que dividiu sua vida em duas partes: o golpe que levou ao Ato 5 e ao fechamento do Congresso, em dezembro de 1968. Hermano, que morreu ontem vítima de câncer, em Lisboa, atuava em conjunto com Márcio Moreira Alves, como ele jornalista e depois deputado, cuja cassação se transformou em estopim daquela crise.

Antes, Hermano foi um jornalista talentoso, provocador, de ótima memória, sempre às turras com o mandonismo dos militares. Como repórter e articulista, na Tribuna de Imprensa, na Folha de S. Paulo e no Correio da Manhã, acompanhou o governo João Goulart e desafiou a ditadura até ser cassado e exilado.

Depois, circulou por mais de dez anos por México, Argélia, Paris, Londres e Lisboa, voltando ao Brasil em 1984. Desistiu da política, fez assessorias e conseguiu indenização pela Lei da Anistia, instalando-se em Lisboa nos anos 90. Em nota, o ministro-chefe da Comunicação Social, Franklin Martins, o definiu como "uma das maiores referências" do jornalismo do País.

Casado duas vezes, deixou quatro filhos. Seu corpo foi cremado, ontem à tarde, no cemitério dos Olivais, em Lisboa.

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