Aos 90 anos, Cordão da Bola Preta arrasta 1 milhão no Rio

Bloco é o mais tradicional da folia carioca; Maria Rita e Leandra Leal foram destaques

Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

22 Fevereiro 2009 | 00h00

Aos 90 anos, completados neste carnaval, o Cordão da Bola Preta arrastou ontem 1 milhão de foliões pelas ruas da região central do Rio. A marca superou a previsão de público - entre 500 mil e 800 mil - estimada pela Polícia Militar. A festa do bloco mais tradicional da folia carioca foi encerrada por volta das 15 horas. A cantora Maria Rita, madrinha do bloco, e a atriz Leandra Leal, porta-estandarte, eram os destaques no primeiro carro de som. Até um sósia do presidente americano Barack Obama, de terno e gravata num calor de pelo menos 30°C, animava a multidão agitando uma pequena bandeira dos Estados Unidos. Ao todo, cinco trios elétricos participaram do desfile, que teve início na Cinelândia, passou pela Avenida Rio Branco, foi à Igreja da Candelária e depois retornaria ao ponto inicial. "É muita emoção. Há quatro anos saio no Bola Preta. Me faz lembrar de quando eu era jovem", disse a pensionista Jurema da Silva, de 76 anos, que "pulou" ontem com três amigas. Para garantir um lugar perto do trio elétrico, Jurema e as amigas chegaram uma hora antes do início do desfile, que começou por volta das 10 horas. Foi para esquecer os problemas do dia-a-dia que o aposentado Adilson de Souza, de 66 anos, acompanhado da artesã Ione da Costa, de 54, acordou cedo ontem para acompanhar o Bola Preta, declarado patrimônio cultural. Há pelo menos oito carnavais eles fazem questão de sair no cordão. "É sempre muito bom. Não enjoa, não. Todo mundo tem problemas. O Bola Preta ajuda a esquecer." Centenas de ambulantes comemoravam as boas vendas e, de quebra, aproveitavam para curtir a festa. Uma das mais animadas vendedoras, Lucia Helena de Souza, de 32 anos, contabilizava às 11 horas a venda de 50 espetos com salsichão e um sem-número de latinhas de cervejas. "Com certeza dá para a gente curtir o carnaval!" A PM não havia registrado nenhuma ocorrência grave até o início da tarde de ontem. Apenas casos isolados de embriaguez e pequenas brigas. O clima de paz também foi notado pelo vendedor de camisas do bloco Gilson Francisco da Silva. Ele conta que chegou ao centro do Rio ainda na madrugada, tudo para garantir um bom local de vendas. A estratégia deu certo. Ele vendeu 200 camisetas, por R$ 10 cada.

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