Apadrinhado do PMDB demitido nos Correios

Diretor de Operações, Oliveira é a primeira vítima da crise de gestão que atinge empresa

Karla Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2010 | 00h00

Surge a primeira vítima da crise de gestão dos Correios. O PMDB, padrinho de boa parte das indicações, entregou ontem a cabeça do diretor de Operações, Marco Antonio Oliveira. Ele foi demitido do cargo, por conta dos frequentes problemas na qualidade da prestação dos serviços.

A proposta de demissão de Oliveira já vinha sendo discutida havia um mês e só foi apresentada ao presidente Lula na terça-feira. Ainda não há um substituto para o cargo. Segundo fontes do governo, algum dos diretores assumirá a função, enquanto outro nome não é definido. Apesar da insatisfação com a qualidade dos serviços da estatal, Lula tem evitado fazer uma mudança drástica, que atingiria o presidente da estatal, Carlos Henrique Custódio, para não criar problemas com o PMDB, aliado do PT na campanha de Dilma Rousseff à Presidência.

Custódio é protegido do senador Hélio Costa (PMDB), candidato da base aliada a governador de Minas, e do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Foram também bancados pelo PMDB os diretores Décio Braga de Oliveira (Econômico-Financeira) e Pedro Magalhães Bifano (Gestão de Pessoas) - além do demitido Oliveira.

O estopim para a demissão de Oliveira foi uma reunião promovida por ele em São Paulo, na última quinta-feira, com os diretores regionais, para apresentar um programa de recuperação dos Correios, que excluía a área dele da lista de problemas. Na terça-feira, Lula determinou a elaboração de estudos para melhoria dos serviços dos Correios aos ministros da Casa Civil, das Comunicações e do Planejamento, que deverão ser apresentados já na próxima semana.

PARA LEMBRAR

As investigações da CPI dos Correios foram o embrião do chamado mensalão, esquema de corrupção denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em 2005. O dinheiro arrecadado com o esquema seria usado para engordar o caixa do partido. Após as denúncias, Jefferson revelou que congressistas aliados do governo Lula recebiam mesada de R$ 30 mil do tesoureiro do PT, Delúbio Soares. O publicitário Duda Mendonça, um dos principais marqueteiros políticos do País, admitiu à CPI ter recebido no exterior R$ 10 milhões da campanha de Lula.

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