Pedro Nunes/Reuters
Pedro Nunes/Reuters

Aparições da Virgem Maria são vistas com prudência pela Igreja

'Estado' publica quarto e último capítulo da série sobre os 'santos populares'. No Brasil, foi constituída, em 2011, comissão para observação de Nossa Senhora em Anguera, na Bahia

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2019 | 12h00

SOROCABA - Fruto de devoção de fiéis no mundo todo, a Virgem Maria registra 2 mil aparições ao longo dos séculos, segundo o site The Miracle Hunter, que reúne registros das aparições marianas. A primeira da qual se tem registro é a de Nossa Senhora do Pilar de Saragoza, na Espanha. Maria apareceu ao apóstolo Santiago, o Maior, às margens do Rio Ebro, no ano 40 depois de Cristo. A aparição que envolveu mais videntes foi registrada em 2000 e 2001 para milhares de pessoas, em Assuite, no Egito.

A Igreja Católica sempre foi prudente diante desses registros e só 16 delas foram aprovadas pelo Vaticano, enquanto outras 28 contam com a aprovação dos bispos locais. O Concílio de Trento (1545-1563) estabeleceu o bispo local como a primeira autoridade para julgar a autenticidade de uma aparição mariana, ou seja, reconhecer que as revelações constituem uma chama autêntica de Cristo ou de seus santos para a Igreja. Com esse reconhecimento, a Virgem pode ser venerada de uma maneira especial. Após a aprovação episcopal, a aparição pode ser objeto de uma declaração oficial do papa.

Entre as aparições marianas que contam com reconhecimento da Santa Sé de destacam a da Virgem de Guadalupe, no México (1531); Nossa Senhora da Siluva, na Lituânia (1608); Virgem da Medalha Milagrosa, na França (1830); Nossa Senhora de Sión, em Roma (1842); a Virgem de La Salette (1846) e Nossa Senhora de Lourdes (1858) na França; Nossa Senhora de Gietzwald, na Polônia (1877); a Virgem de Fátima, Portugal (1917), e a Mãe do Mundo de Kibeho, Rwanda (18981).

Em muitos relatos de aparições de Maria, a Igreja nunca se pronunciou. Em outros casos, como o de Medjugorge, na Bósnia e Hersegovina, a Igreja ainda estuda o parecer dos bispos da Iugoslávia, país que se dividiu após as guerras, para os quais “não é possível estabelecer que houve aparições ou revelações sobrenaturais”. A Virgem Maria teria aparecido para cinco adolescentes e uma criança. Em 2010, o Vaticano constituiu uma comissão internacional, sob a autoridade da Congregação da Doutrina da Fé, para determinar a sobrenaturalidade ou não do fenômeno.

No Brasil, a pedido do Vaticano, foi constituída em 2011 uma comissão de observação das aparições de Nossa Senhora em Anguera, na Bahia. Um monsenhor, um padre e um psiquiatra passaram a estudar as mensagens que Maria, a Rainha da Paz, teria transmitido ao confidente Pedro Régis. As aparições tiveram início em 1987 e se prolongaram por mais de duas décadas. Entre padres e bispos da região, há ceticismo em relação às mensagens transmitidas a um único vidente.

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