Apelos à paz marcam o feriado no RJ

O Dia de Finados foi marcado por apelos pela paz. No cemitério Jardim da Saudade, em Paciência, na zona oeste, 500 pessoas se reuniram para o manifesto "Chega de Terror". Cinco mil balões brancos, com as palavras "paz" e "saudade" grafadas, foram lançados. "Tivemos uma manifestação única, incomparável aqui. Nunca vi tanta solidariedade e amor como vi hoje. Há uma comoção universal porque o mundo está abalado com os atentados de Nova York", afirmou o Frei Clemente, pároco de Ipanema, na zona sul. O manifesto "Chega de Terror" teve a participação do Movimento Viva Rio e um concerto pela paz do pianista Pedrinho Mattar. Conhecido por sua irreverência, Frei Clemente diminuiu o clima de consternação, contando que seu pai sempre o levava a cemitérios, quando ele era criança, na Alemanha. "Meu pai explicava que ali tinha muita flor, árvore, pássaros, e ninguém falava mal de ninguém", brincou. Cerca de cinco mil pessoas estiveram no Jardim da Saudade, entre eles o pai do cantor Herbert Vianna, o brigadeiro Hermano Vianna, que levou flores no túmulo da nora Lucy, morta em fevereiro no acidente de ultraleve. Ele disse que o filho ainda não tinha condição de visitar o túmulo da mulher, mas deve fazê-lo no ano que vem.O novo arcebispo do Rio, d. Eusébio Oscar Sheid, celebrou missa no Cemitério de Santa Cruz, na zona oeste, onde foram enterrados 1.500 indigentes de janeiro a agosto desse ano. D. Eusébio depositou flores nos túmulos de um homem e uma mulher que foram sepultados sem identificação.Cerca de 1,7 milhão de pessoas eram esperadas nos dois maiores cemitérios da cidade, o de São Francisco Xavier, no Caju, e o de São João Batista, em Botafogo, na zona sul. No São Francisco Xavier, o túmulo do cantor da Jovem Guarda Paulo Sérgio, morto em 1983, foi um dos mais visitados. Fãs viajaram de São Paulo para o Rio somente para homenagear o ídolo. "Gostaríamos que ele pudesse voltar", disse o presidente do fã-clube, Edvan Pereira de Assis, que há 21 anos vai ao túmulo.Fãs de Carmem Miranda, enterrada no São João Batista, homenagearam a cantora com uma seresta em sua sepultura. O saxofonista Hildebrando da Conceição, de 68 anos, tocava músicas de Ataulfo Alves, acompanhado por dois violões, cavaquinho e pandeiro. "Desde a adolescência eu acompanhava o trabalho dela", disse Conceição. No túmulo de Clara Nunes, integrantes do Templo Espírita de Umbanda Clara Nunes davam "passes" em quem passava pelo local. A sepultura de Cazuza foi ornamentada por uma coroa de rosas em formato de coração.

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