Apesar de atrasos, passageiros apóiam pilotos

Mesmo com filas e demora, quem precisou voar ontem preferiu esperar a se arriscar em vôos para Congonhas

Bruno Moreschi e Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

Ao contrário de outros dias marcados pelos atrasos em Congonhas, alguns passageiros entenderam e até mesmo defenderam a decisão dos pilotos de não pousar. A engenheira Carla Amorim, de 38 anos, esperou quatro horas para embarcar num vôo da Gol, programado para as 14h40 rumo a Cuiabá. Ela, que já reclamou em outras ocasiões, desta vez entende o atraso: "Se o piloto do meu vôo achar que não está preparado para pousar, eu espero o quanto for preciso. Além disso, o aeroporto já não tem nenhuma credibilidade para continuar funcionando."A opinião do músico Cristian Pacheco, de 28 anos, é semelhante. Ele esperava o mesmo avião. "Uma coisa é ficar esperando por causa do caos aéreo. outra é esperar porque não é seguro pousar ou decolar. Nenhum brasileiro em sã consciência apoiaria manobras arriscadas em Congonhas ou em qualquer outro lugar." Passageiros que nunca tiveram medo de voar pensam agora duas vezes ao responder à pergunta "Você tem medo de viajar de avião?". É o caso das jogadoras do time brasileiro de softball Simone Suetsugu, de 18 anos, e Vivian Morinoto, de 19. Elas esperavam há mais de três horas para embarcar para o Rio e participar do Pan. "Viajar de avião para mim sempre foi uma tranqüilidade. Agora é uma tensão. As imagens do acidente que vi na TV mudaram radicalmente a minha opinião", disse Simone. No Rio, os vôos que partiram do Aeroporto Tom Jobim tiveram longos atrasos por causa do fechamento de Congonhas, de acordo com a Infraero. Ao meio-dia, 9 dos 20 vôos mostrados pelos monitores do setor de embarque doméstico estavam atrasados; um (para São Paulo) havia sido cancelado. A área estava lotada e as filas no check-in, enormes. O saxofonista Leo Gandelman pegaria um vôo para a capital paulista ao meio-dia, no entanto, naquele horário, ainda enfrentava uma fila.O músico, que sempre teve medo de andar de avião, lamentava ter de pousar em Congonhas - ele viajou para São Paulo para participar do Guarujazz, festival de jazz realizado no Guarujá até amanhã. "Minha mãe me ligou três vezes perguntando se eu não iria cancelar o show", disse Gandelman. "Não posso mudar de profissão, então, tenho que continuar viajando. Mas vou apreensivo."O saxofonista Mauro Senise também teve de ter paciência no Tom Jobim. "Essa espera é sempre uma angústia. A gente fica completamente vendido nessas situações." Senise estava de partida para Belo Horizonte e de lá seguiria para Governador Valadares, para se apresentar no Tim Valadares Jazz Festival. Também convidado para o evento em Minas, o músico francês radicado no Rio Idriss Boudrioua, que embarcaria num vôo mais cedo, chegou a entrar na sala de embarque, mas depois soube que não iria mais voar de manhã. "Essa espera não tem fim."

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