Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Apesar de crise hídrica, estatal de Minas aumentou captação

Documento obtido pelo 'Estado' mostra que reservatórios estavam em queda, mas Copasa intensificou retirada de água em dois meses

Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2015 | 13h52

BELO HORIZONTE - A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) aumentou a produção de água na Região Metropolitana de Belo Horizonte às vésperas das eleições do ano passado. Apesar da queda constante do nível dos reservatórios do Sistema Paraopebas verificada a partir de janeiro de 2014, a empresa, controlada pelo governo estadual, intensificou a captação em setembro e outubro, voltando a reduzir a produção a partir de novembro.  É o que mostram um gráfico e uma tabela da companhia obtidos pelo Estado, que mostram os níveis dos reservatórios e a produção de água entre janeiro de 2013 e dezembro do ano passado.

Os documentos mostram que os reservatórios do Sistema Paraopeba - Rio Manso, Serra Azul e Vargem das Flores - tiveram o pico de volume no período em maio de 2013, quando o nível chegou a 91,04%. A partir daí, o volume entrou em declínio quase constante.

Apenas em janeiro do ano passado o nível teve um aumento em relação ao mês anterior, passando de 68,72% em dezembro de 2013 para 77,51% no mês seguinte. Desde então, a redução passou a ser a regra. E o mesmo ocorreu com a produção de água pela Copasa. Em janeiro do ano passado, a empresa  produziu 7.549,83 litros por segundo, volume que foi reduzido mês a mês até chegar a 6.290,5 litros por segundo em agosto de 2014, quando o nível dos reservatórios estava em 50,51%.

Em setembro, mês que antecedeu as eleições, o volume dos reservatórios caiu para 45,49%, enquanto a produção cresceu para 6.783,84 litros por segundo.

No mês seguinte, houve nova queda dos reservatórios, que tinham 39,70% da capacidade, enquanto a produção de água passou para 7.019,12 litros por segundo. Na ocasião, o ex-ministro Pimenta da Veiga disputava a eleição estadual pelo PSDB, representando o grupo do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que comandava o governo desde 2003, e o parlamentar disputava a Presidência. Ambos perderam.

Mas o então diretor de Operação Metropolitana da Copasa, Juarez Amorim, descartou a relação do aumento da produção com o pleito. "O aumento da produção acompanha o aumento da demanda. Foi um período de muito calor", disse. "Para evitar isso, é só mudar a eleição de época. Passa para junho que a produção no período eleitoral vai cair", acrescentou.

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que em setembro houve registro de até 35 graus na temperatura em Belo Horizonte e que em 19 de outubro houve um pico de 36 graus na capital.

Nos dois meses seguintes, houve registro de até 33 graus em novembro e a temperatura subiu ainda mais em dezembro, mas a produção de água foi reduzida para 6.778,79 litros por segundo em novembro e para 6.577,01 no mês seguinte.

Nesses meses, o volume do Sistema Paraopeba era de 34,78% e 33,46%, respectivamente. Atualmente, os reservatórios têm 29,8% da capacidade. O Estado procurou a Copasa, mas, por meio de nota, a empresa informou que disponibiliza os dados dos reservatórios em seu site e que "não cabe à atual direção analisar os números do sistema de abastecimento referentes a gestão anterior, ficando a interpretação a cargo da própria sociedade".

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