Apesar de desativado, lixão recebe 200 t de dejetos por dia, em Prudente

Considerado um dos piores do Estado, com nota 2,7 na avaliação da Cetesb, o lixão de Presidente Prudente começou a ser desativado em 5 de agosto, mas continua recebendo lixo. Até agora, a prefeitura aterrou 1/4 da área de 5 hectares. Feita por etapas, a desativação só deve terminar em dois anos. Multada em R$ 430 mil, a prefeitura receberá autuações diárias, se não acelerar a desativação. Até lá, as 200 toneladas diárias de lixo produzidas pelos 204 mil moradores continuarão a ser depositadas no lixão, de 1996. "Não tem outra saída, vamos continuar depositando lá até a construção do novo aterro", diz Fernando Luizari Gomes, secretário de Meio Ambiente e Turismo. A Cetesb reclama da demora da prefeitura em dar um fim no lixão. O governo contesta. "A Cetesb quer o projeto para amanhã. Isso leva tempo", afirma o secretário. Por meio de licitação, o município contratou uma empresa para fazer o projeto de desativação. A proposta prevê a drenagem de gases e chorume, além da perfuração de poços para monitorar os lençóis freáticos e apurar o nível de contaminação da água. Só depois é que será criado o novo aterro. "O lixão deveria ter sido desativado há muito tempo", critica José Benites de Oliveira, gerente da Cetesb na cidade. OUTROS CASOS O aterro de Itapeva, a 250 km de São Paulo, também corre risco de interdição. Numa fiscalização realizada no início da semana, técnicos da Cetesb constataram que a prefeitura não atende às normas do Termo de Ajuste de Conduta (TAC), assinado pela administração em outubro de 2007. Nesse acordo, a prefeitura deveria apresentar, em seis meses, um local para erguer o novo aterro. Segundo o gerente da Cetesb em Itapetininga, Dirceu Micheli, a administração perdeu o prazo. De acordo com a prefeitura, o TAC vem sendo cumprido. Registro também está em situação crítica. Segundo o diretor de Planejamento, José Bojczuke, a prefeitura passou por problemas financeiros e não conseguiu manter os serviços. Já teria enviado projetos para a Cetesb para nova área de aterro. Hoje, o local que funciona há mais de 40 anos recebe de 30 a 40 toneladas de lixo por dia. Outro lixão na mira do Estado é o de Araçariguama, com IQR inferior a 5 desde 2006. A prefeitura diz que faz obras desde maio. Em Itapecerica da Serra, onde o aterro segue interditado desde junho, há risco de contaminação de lençóis freáticos que fazem parte das Represas Billings e do Guarapiranga - essas águas também são ameaçadas pelo aterro de Embu-Guaçu. A prefeitura de Itapecerica não fez adaptações para a coleta do chorume no local, segundo a Cetesb. O governo municipal diz que realiza melhorias.

Sandro Villar e Eliete Guedes, O Estadao de S.Paulo

02 Outubro 2008 | 00h00

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