Apesar de duração maior, horário de verão terá economia menor

Grande uso de térmicas, por causa da estiagem, deve reduzir ‘poupança’ total de R$ 405 milhões para R$ 278 milhões

Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

14 Outubro 2014 | 13h04

O horário brasileiro de verão, que começa à zero hora do domingo, 19, vai durar mais na próxima estação, entretanto, ocasionará uma economia menor. Com o uso mais intenso das termelétricas em 2014, a previsão do Ministério de Minas e Energia (MME) é de que o relógio adiantado em boa parte do Brasil poupe R$ 278 milhões em eletricidade, desempenho bem inferior aos R$ 405 milhões economizados no verão passado.

Neste ano, todos os Estados da Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, além do Distrito Federal, adotarão o horário diferenciado. Pelos cálculos do MME, adiantar os relógios em uma hora no sábado nessas regiões reduzirá a demanda de energia do País em 2.595 megawatts (MW) até 22 de fevereiro de 2015.

Nos 126 dias em que o horário valerá, a redução da demanda no momento de pico deve ser de 1.975 MW no subsistema Sudeste/Centro-Oeste e de 625 MW no subsistema Sul. No caso do subsistema SE/CO, essa redução entre as 18 e 21 horas equivale a quase o dobro do consumo de Brasília nesse horário. Já o subsistema Sul deve economizar até 75% da carga de Curitiba na mesma comparação.

Segundo o MME, nos últimos dez anos, o horário de verão possibilitou economia média de 4,6% no intervalo noturno de maior consumo de energia. Nos últimos 15 anos, a medida durou, em média, 121 dias. Mas, como o término dela não pode coincidir com o carnaval, a duração será maior desta vez.

“Com o horário de verão, buscamos melhor aproveitamento da luz do sol e maior racionalidade no uso da eletricidade”, disse o secretário de energia elétrica do MME, Ildo Grüdtner. “Esperamos redução no consumo similar à dos anos anteriores.”

Ele destacou que a economia proporcionada pela medida também poupa os reservatórios das usinas hidrelétricas - em 0,4% no sistema SE/CO e em 1,1% no Sul - e tem efeitos positivos nas contas de luz. O secretário admitiu, no entanto, que a economia neste ano será menor do que os cerca de R$ 405 milhões obtidos no último verão, pois atualmente a geração térmica é maior.

“Considerando um período hidrológico normal, estimamos economia de R$ 278 milhões com usinas térmicas que não precisarão ser despachadas no período. Além disso, evita-se a construção de novas térmicas a gás que demandariam investimentos de R$ 4,5 bilhões.”

Amor e ódio. O administrador Ian Ratinecas, de 24 anos, diz que o início do horário de verão marca uma das melhores épocas do ano, pois possibilita “desfrutar do sol e do calor” após o expediente. “No fim de semana é ainda melhor, porque posso ir a praças e parques e ficar até tarde. Mas entendo que quem precisa acordar cedo não goste.”

No Facebook o grupo “Odeio o horário de verão” reúne 6.700 pessoas. Uma das integrantes explica seu descontentamento: “Faz mal para a saúde, pois desregula nosso sistema biológico”. Outro também reclama: “Dias que nunca acabam e noites que nunca chegam”. / COLABOROU MÔNICA REOLOM

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