Apesar de ilegal, greve de ônibus continua em Fortaleza

Ministério Público do Trabalho considera ato ilegal pois categoria não deixou 30% da frota rodando

Carmem Pompeu, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2008 | 15h09

Apesar de parecer do Ministério Público do Trabalho (MPT) pela ilegalidade, motoristas e cobradores de ônibus prosseguem com a greve iniciada na terça-feira, 6, em Fortaleza. Com a ajuda da Polícia Militar, que disponibilizou 200 homens, os sete terminais de integração da cidade só começaram a ser liberados ao meio-dia desta quinta-feira, 8. Mas o movimento de coletivos à tarde ainda era muito pequeno nestes locais. Por causa da paralisação, o fortalezense ao invés de R$ 1,60 (valor da tarifa nos ônibus na capital) teve que pagar em média R$ 10 aos mototaxistas para se deslocar, por exemplo, de bairros da periferia até o centro da cidade. Os comerciantes do centro, que esperavam um movimento maior ao longo desta semana por conta do Dia das Mães, no próximo domingo, já contabilizam prejuízos de 30% nas vendas. Os diretores do Sindicato das Empresas (Sindiônibus) orientaram aos motoristas para que evitassem os terminais devido à facilidade dos manifestantes em obstruírem esses locais. Pela manhã, alguns ônibus tiveram pneus furados no terminal da Parangaba e na Avenida José Bastos. Em um balanço parcial, os empresários do setor informaram que 700 veículos foram danificados pelos grevistas. De acordo com o procurador-chefe do MPT, Cláudio Meireles, a greve é ilegal porque não cumpriu os requisitos necessários como aviso prévio de 72 horas e o percentual mínimo de 30% dos veículos circulando. Ele entrou com pedido de ilegalidade junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT). A medida dará às empresas o direito de demitir os funcionários grevistas por justa causa. Mesmo assim, o comando de greve, articulado pelo Conselho Nacional de Lutas (Conlutas), decidiu manter a paralisação. Eles querem anular um acordo fechado semana passada entre patrões e um dos sindicatos da categoria, o Sintro, que prevê 5% de aumento para a categoria mais aumento no vale-refeição. Os grevistas não reconhecem o Sintro como seus representantes na negociação. Uma assembléia foi marcada pelo Conlutas para sábado, às 9 horas, para definir o rumo do movimento.

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