Apesar de restrição, nº de acidentes com caminhões continua igual

Em SP, um bloqueio de faixa causado por um veículo de carga resulta em 3 km de lentidão a cada 15 minutos

Eduardo Reina e Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

16 Julho 2009 | 00h00

O pacote de restrições para a circulação tirou pelo menos 100 mil caminhões das Marginais e do centro expandido de São Paulo por dia. Mas a cidade continua sofrendo com as intervenções no trânsito provocadas por incidentes envolvendo veículos de carga. Em 2008 (período com seis meses de restrição e a outra metade sem), foi registrada uma média mensal de 118 casos de interferências nas vias, por causa de caminhões tombados, com excesso de altura, que derrubaram carga na pista ou que se acidentaram quando transportavam carga perigosa. Neste ano (com restrições), a média é de 117 - variação de 0,8%. As intervenções nos incidentes com caminhões são as mais prejudiciais para o trânsito. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) calcula que um veículo bloqueando uma faixa da Marginal do Tietê, por exemplo, provoca uma lentidão de 3 quilômetros a cada 15 minutos. Para remover um caminhão que derrubou carga na pista, a CET leva em média, durante os dias úteis (dados de maio), 1 hora e 4 minutos - 11 minutos em deslocamento e 53,4 minutos para a remoção (ressalvando que há variáveis como chuva, congestionamento, tamanho do caminhão e posição após o acidente. Em alguns casos, é necessário até retroescavadeira). Em casos de caminhões com excesso de altura são necessários 20 minutos de deslocamento e 40 minutos para a remoção. São esses casos os responsáveis por manter alto o índice de intervenções nas vias envolvendo veículos de carga. A média mensal de incidentes com altura neste ano subiu 17,8%, passando de 73 no ano passado para os atuais 86. A quantia de casos havia apresentado redução em janeiro e fevereiro, mas houve alta na sequência, chegando a um pico de 128 casos em maio. Para o engenheiro e consultor de trânsito Alexandre Zum Winkel, que atuou por 20 anos na CET, a principal explicação para o crescimento nos incidentes com excesso de altura é a necessidade de se driblar as restrições e também a fuga de congestionamentos. "Caminhões que percorrem pequenos trechos e antes iam pelo Rodoanel, agora voltam para a cidade para escapar do pedágio. Como há rodízio, precisam de uma rota alternativa para não serem multados. Aí passam em ruas que não têm estrutura para a dimensão dos caminhões", explica Winkel. Ele diz ainda que os caminhoneiros conhecem os bloqueios existentes na cidade e procuram opções. "Mas nessas novas rotas a altura da fiação não é a mesma. Isso causa problema nas vias periféricas, que nem são registradas. Há muita queda de fiação elétrica e de telefone." MORUMBI O caso mais recente aconteceu na terça-feira, na zona sul. Às 4h50, um caminhão ficou preso em fios elétricos no cruzamento das Avenidas Giovanni Gronchi e Morumbi, onde não poderia circular - segundo a CET, o motorista falou que estava perdido. Ao arrastar os fios, o caminhão também arrancou um poste e galhos de árvores. Os agentes removeram o veículo às 7h35, mas a via ficou interditada por mais tempo, para que técnicos da Eletropaulo realizassem corte na fiação e a recolocação do poste. A CET informou que está punindo condutores que travem vias públicas por mais de 60 minutos, causando problemas ao sistema viário. Somente neste ano, foram 58 ocorrências desse tipo, que provocaram multas que somam R$ 165 mil. Dessas, 12 já foram pagas e 46 estão em processo de cobrança. Por outro lado, foi registrada queda nos acidentes com caminhões com carga perigosa, que derrubam carga na pista e nos tombamentos. O primeiro tipo apresentou maior queda, de uma média de 4 para 1 caso por mês. Em maio, por exemplo, não houve nenhum acidente desse tipo. O mesmo mês terminou sem tombamentos, cujo índice também apresentou queda de 5 para 4 casos por mês. Os acidentes com carga na pista tiveram uma queda de 37 para 26 casos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.