Apesar de restrições, Exército permanece na Providência

Soldados ficaram em dois pontos do morro além da região de 100 metros onde ocorrem as obras

Bruno Tavares, de O Estado de S. Paulo,

21 de junho de 2008 | 14h24

Apesar das restrições determinadas pela presidência do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio e Espírito Santo), o Exército manteve neste sábado, 21, seus homens posicionados em outros dois pontos do Morro da Providência, além do trecho de 100 metros onde ocorrem as obras do Projeto Cimento Social - parceria entre os ministérios da Defesa e das Cidades para a reforma de moradias populares. O único local desocupado pelas tropas, ainda na noite de sexta-feira, 20, foi a Praça Américo Brum, onde há uma semana três jovens foram detidos por militares e entregues a traficantes de um morro rival.   Veja também: Exército tira soldados e reduz abordagem em morro no Rio Para Jobim, cassação da liminar é passo para soluções no morro Militares podem ficar apenas em rua da obra, decide Justiça Familiares de vítimas participam de missa de 7º dia Comissão fará investigação paralela sobre mortes Opine: o Exército pode cuidar da segurança pública?    Revoltados com a permanência do Exército, proprietários das casas em reforma já ameaçam paralisar as obras. "Os moradores estão com medo. Se eles (os militares) não saírem do morro imediatamente, como mandou a Justiça, não vai ter obra", disse Nelson Gomes, um dos líderes comunitários da Providência. Ele também acusa as tropas de continuarem abordando moradores.   O Estado esteve no morro e, até o meio-dia de ontem, ao menos 50 homens armados de fuzis, pistolas e espingardas se concentravam em três áreas: na capela do Cruzeiro, o ponto mais alto do morro; no Buraco, trecho de altura intermediária, com vista para a obra; e nas proximidades da Rua Barão da Gamboa, onde as moradias estão sendo reformadas por militares e funcionários de uma empreiteira.   Entretanto, a ordem do desembargador Joaquim Antônio de Castro Aguiar, presidente do TRF2, limitava a atuação dos militares exclusivamente à obra. O despacho também vetava a participação deles as ações típicas de segurança pública, como patrulhamentos e abordagens, pelo menos até a próxima quinta-feira, quando o governo federal terá de apresentar uma solução definitiva para a impasse.   Por ordem do comando do Exército, ontem mesmo as abordagens foram reduzidas a zero. Os soldados foram orientados a agir somente em caso atitude ofensiva à tropa. Segundo fontes militares, o efetivo foi reduzido de 200 para menos de 150 homens. A alegação extra-oficial para a permanência da tropa fora do trecho estipulado pela Justiça Federal é a de que a reforma das casas localizadas na encosta do morro começarão em breve.   Mas o fato é que o comando está preocupado com a segurança do efetivo e teme ser alvo fácil de traficantes se abandonar os pontos altos, considerados estratégicos. A questão é tão crítica que o Exército cogita até abandonar o trabalho, caso as exigências da Justiça interfiram no "limite mínimo de segurança". O Comando Militar do Leste não se pronunciou.   Na manhã deste sábado, 21, parentes e amigos dos jovens assassinados participaram da missa de 7º dia em memória dos três rapazes assassinados.   (Colaborou Tânia Monteiro)

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