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Apesar do exército, Rio vive fim de semana violento

O Rio teve mais um fim de semana violento, apesar de o Exército permanecer nas ruas e dos esforços dos governos federal e estadual em implementar um plano de emergência para conter a criminalidade. Na rodovia Presidente Dutra, um dos principais acessos à cidade, bandidos armados de escopeta, em dois carros roubados, fizeram bloqueios na estrada na volta do feriadão de carnaval, renderam motoristas e roubaram mais três carros, causando pânico na estrada. Em Laranjeiras, mesmo bairro da residência oficial da governadora, um professor foi morto com três tiros na porta de casa ontem à noite, no mesmo horário em que transcorria a reunião das autoridades federais e estaduais para discutir o pacote anti-violência.Este foi o último fim de semana com o policiamento do Exército, que hoje completou dez dias de vigilância em 25 pontos estratégicos da cidade. Ao justificar a saída dos militares no próximo sábado, o ministro da Defesa, José Viegas, disse que "a presença das Forças Armadas por período prolongado no policiamento de rua no Rio de Janeiro não solucionará, em suas raízes, os problemas de segurança que afligem o Estado". Em nota oficial lida por Viegas, depois da reunião de ontem com a governadora Rosinha Matheus, o ministro acrescentou: "É também de conhecimento geral que as Forças Armadas são preparadas e adestradas para um tipo de missão diferente do patrulhamento de rua e do combate policial ao crime." A série de assaltos na Via Dutra começou, na verdade, a poucos metros da rodovia, com o roubo de um Classe A e um Vectra. Com eles, a quadrilha bloqueou a passagem dos motoristas, que já trafegavam em velocidade reduzida, por volta das 22h, devido a um temporal e ao intenso fluxo de veículos no sentido Rio-São Paulo. Na estrada, levaram um Mitsubishi, um Peugeot e um Monza. O proprietário do Mitsubishi, um perito criminal que não quis se identificar, teve o carro recuperado horas depois e disse que a ação dos bandidos foi rápida. Agentes da Polícia Rodoviária Federal disseram, no entanto, que toda a operação dos bandidos, desde o primeiro assalto, durou cerca de duas horas e que houve troca de tiros entre os assaltantes e a polícia. O Vectra e o Classe A roubados também foram recuperados.Também no sábado à noite, o professor universitário Gustavo Armando de Pádua Schnnor, de 49 anos, foi encontrado agonizando na porta de casa pelos parentes, que ouviram os disparos. Ele voltava de um passeio com seu cachorro. O crime, que não teve testemunhas, aconteceu no mesmo bairro onde a governadora Rosinha Matheus tinha acabado de se reunir com os ministros da Defesa, José Viegas, e da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para tratar de um plano de combate à violência no Estado. No encontro, foi anunciada a retirada do Exército das ruas do Rio no próximo sábado.Exército foraA governadora Rosinha Matheus (PSB), que havia pedido a permanência do Exército por mais 30 dias, lembrou que as tropas estarão de sobreaviso para atuar em casos emergenciais. "Pedimos o Exército por mais um mês até terminar algumas ações que estamos fazendo. Mas vai ser uma semana. Foi o possível", disse. Indagada se teme um ataque do crime organizado com a saída do Exército, Rosinha respondeu: "Não, e se tiver nós vamos enfrentar."Rosinha disse que os índices de criminalidade durante o governo Benedita da Silva (PT) aumentaram em comparação com o anterior, de Anthony Garotinho (PSB). Ela admitiu que não conseguiu reduzir a violência nos primeiros meses do governo. "Estamos retomando um processo de alta do índice de violência do Rio, mas vamos controlar de novo e fazer com que esses índices diminuam, mas queremos a ajuda do governo federal."A presença ostensiva do Exército e a elaboração de medidas de repressão à violência parecem, no entanto, não intimidar os bandidos. Na madrugada de ontem, o inspetor José Antônio Leal Correia, de 40 anos, que trabalhava no gabinete da chefia de Polícia Civil, foi morto a tiros por traficantes no bairro do Rocha, zona norte. Segundo o delegado Antenor Martins, da 25ª DP (Engenho Novo), pelo menos seis homens armados com fuzis e pistolas fecharam a rua Grão Pará e pararam os motoristas para assaltá-los. Identificado como policial, Correia não teria nem tido tempo de reagir, sendo executado ali mesmo.Veja o especial:

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