Apoio de Lula a Ana Arraes visa Campos

Com os tucanos fazendo a corte ao governador e líder do PSB, o petista quis 'amarrá-lo' à sigla

CHRISTIANE SAMARCO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2011 | 03h08

Não foi a vaga de ministro do Tribunal de Contas de União (TCU) que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mergulhar na ofensiva política conduzida pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para eleger sua mãe - a deputada Ana Arraes - para o TCU. Com o PSDB do senador Aécio Neves (MG) fazendo a corte ao governador e presidente nacional do PSB, o que Lula queria era "amarrar" Campos ao PT.

Foi o próprio Lula quem revelou seu objetivo tático a um correligionário. Questionado sobre se a vitória não deixaria Campos "forte demais", na condição de comandante de uma articulação nacional e suprapartidária bem-sucedida, o ex-presidente foi direto ao ponto: "Não. Isso vai prendê-lo ao nosso lado".

O secretário de governo de Pernambuco e deputado Maurício Rands (PT), que trabalhou até a última hora no plenário da Câmara para eleger Ana Arraes, diz não ter dúvida de que "o grande significado político da eleição foi reforçar a parceria do PT com o PSB no âmbito da grande aliança que dá sustentação ao governo Dilma Rousseff". Ele entende que o fato é relevante porque dá mais equilíbrio interno à base governista e aproxima os dois partidos nas eleições municipais.

"PT e PSB saem muito mais próximos deste episódio", concorda o vice-presidente do PSB, o ex-ministro Roberto Amaral.

Divisão. Apesar de a ala do PT comandada pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), ter apoiado o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), nas contas dos socialistas, mais de dois terços da bancada do PT votou na candidata do partido.

O PSDB também ficou majoritariamente com Ana Arraes, mas a avaliação no tucanato é que ninguém tem o que comemorar. De um lado, perderam os serristas que votaram em Rebelo. De outro, os aecistas que apostaram em parcerias futuras com o PSB e tiveram de amargar derrota dupla. Primeiro, pela constatação de que eles se aproximaram mais dos petistas. Depois, porque Campos se projetou como articulador político nacional, o que pode sugerir concorrência para Aécio no futuro.

O PMDB lançou candidato próprio, mas a presença sorridente do ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, no jantar da vitória de Ana Arraes foi a prova da divisão da sigla.

Embora a bancada peemedebista tenha 79 deputados, Átila Lins (AM) só obteve 47 votos. O grupo descontente com a liderança de Henrique Alves (RN) diz que o líder se enfraqueceu com o resultado, mas seus aliados afirmam que, para quem está mirando a presidência da Câmara, o mais importante foi sair da eleição sem brigar com o PSB e sem se indispor com os ruralistas que votaram em Aldo Rebelo.

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