Apoio de Sarney em 2002 rendeu frutos

Decisão do peemedebista de contrariar o PMDB e fazer campanha para Lula lhe rendeu controle de quase todo o setor elétrico

, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2011 | 00h00

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), aderiu à candidatura do PT à Presidência ainda no início de 2002, antes mesmo que seu partido indicasse a deputada Rita Camata (ES) para vice na chapa do tucano José Serra, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. E mesmo quando o PMDB entrou na campanha de Serra, Sarney levou à frente a sua dissidência pró-Lula. Cobrou caro por isso.

Os cargos que detém no governo - desde Lula, mantidos com Dilma - superam em número os do PC do B, PDT e PP. Sarney controla praticamente todo o setor elétrico do País. A começar pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA).

Ao todo, o orçamento do setor elétrico - para custeio e investimentos - supera os R$ 85 bilhões. A Eletrobrás, maior companhia do setor elétrico da América Latina, tem o controle do sistema de geração e transmissão de energia do País. O orçamento deste ano para investimentos do sistema Eletrobrás é de R$ 8,16 bilhões. O presidente da estatal é José Antonio Muniz . O padrinho, Sarney.

Juntamente com o ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA), Sarney foi também o responsável pela nomeação de Jorge Palmeira para a presidência da Eletronorte. Mas, desde que este morreu, o comando da empresa foi dado a Josias Matos de Araújo, escolhido por Dilma. Se ela resolver mudar o titular, deverá ouvir Sarney antes de decidir.

Braços. As ramificações de Sarney vão além do setor elétrico. O diretor de Controle e Risco do Banco da Amazônia (Basa), Evandro Bessa Filho, é apadrinhado dele. Sarney pôs ainda na diretoria de Gestão desse banco o aliado João Alberto, que só deixou o posto para se candidatar a senador pelo Maranhão.

Também foi de Sarney a indicação de Ulisses Assad para a diretoria de Engenharia da Valec, responsável pela construção da Ferrovia Norte-Sul. A obra foi concebida por Sarney e combatida por Lula quando deputado. À frente da Presidência, porém, o petista a elegeu como obra prioritária. Durante o governo Lula foi concluída a maior parte do trecho que liga o Maranhão a Goiás.

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