Após 10 dias, casal visita os filhos

Foi a primeira vez, desde a libertação na sexta-feira, que pai e madrasta saíram sem acompanhamento da polícia

Shaonny Takaiama e Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

14 Abril 2008 | 00h00

Tensos com as câmeras e flashes da imprensa, ambos de óculos escuros e chinelos, Alexandre Carlos Nardoni, de 29 anos, e Anna Carolina Trotta Jatobá, de 24, deixaram na manhã de ontem o sobrado do pai de Alexandre no bairro do Tucuruvi, zona norte de São Paulo. Suspeitos da morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, os dois desceram a escada do sobrado por volta das 9h10 - ele na frente, ela tentando se esconder das fotos - e foram ao apartamento do pai de Anna Carolina, em Guarulhos. Isabella morreu em 29 de março após ser jogada do 6º andar do prédio em que seu pai e a madrasta vivem na Vila Isolina Mazzei, zona norte. Acompanhe os rumos da investigação Veja as dúvidas e contradições que cercam o caso Saiba por que certos crimes chocam a sociedade Alexandre e Anna Carolina seguiram ao encontro dos dois filhos: Cauã, de 11 meses, e Pietro, de 3 anos. Foi a primeira vez que se encontraram com as crianças desde que foram presos no dia 3. Também é a primeira vez que andaram pela cidade sem a proteção da polícia desde a decretação da prisão temporária. Alexandre chegou a cumprimentar os repórteres com um discreto "bom dia". Deixou Anna Carolina entrar primeiro no carro, no banco de trás, e entrou em seguida. Não respondeu a nenhuma pergunta. O automóvel que os conduziu até Guarulhos era um Vectra do pai de Alexandre, o advogado tributarista Antônio Nardoni. Os pais levaram para a casa dos avós latas de leite em pó e fraldas. Na semana passada, o pai da madrasta, Alexandre Jatobá, disse que as crianças estavam com muita saudade e que o menino mais velho perguntava pela mãe. Contou que era dito ao garoto que Alexandre e Anna Carolina estavam viajando - até ontem, Pietro não sabia que a meia-irmã foi morta. O carro entrou pela garagem do Edifício Serra de Bragança, um prédio de classe média alta. ENTREVISTA Em entrevista ontem ao Fantástico, da TV Globo, Antônio Nardoni negou que Alexandre e Anna Carolina tenham brigado pouco antes do crime. "Não houve briga, eu tenho absoluta certeza. Se alguém está dizendo que ouviu briga deve ter ouvido em algum dos prédios em volta e pode ter tido a impressão que fosse lá", disse. Ele declarou que a reação do casal foi normal ao não ter acionado o resgate, quando percebeu que Isabella havia caído. "Talvez as pessoas estranhem esse comportamento, mas nós temos uma regra dentro de casa. Quando temos algum problema, um liga para o outro primeiro." Segundo Antônio, naquela noite quem fez a ligação para ele foi a madrasta de Isabella. "Ela estava muito nervosa, falando muito alto e dizendo que tinha acontecido alguma coisa com a Isabella. Eu desliguei o telefone e saí correndo para lá", afirmou. Antônio confirmou que esteve no apartamento, acompanhado de parentes, no dia seguinte ao crime. Disse que foi buscar roupas para as crianças. Ele afirmou que os dois apartamentos que a família Nardoni têm no 6º andar serão vendidos.

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