Após 11 meses de reforma, Casa do Grito reabre com exposição

Construído com pau-a-pique no século 19, local abrigará mostra de peças arqueológicas

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

02 de setembro de 2008 | 00h00

Hoje, o engenheiro civil José Henrique Serafim, do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH), consegue respirar com a sensação do dever cumprido. Depois de 11 meses de obras, a Casa do Grito, construção de pau-a-pique próxima ao Museu do Ipiranga, deve ser reaberta ao público. "Durante todo esse tempo, vistoriei diariamente o andamento da reforma", conta Serafim. Sob sua responsabilidade, estavam dez funcionários. "O prazo inicial era de seis meses. Mas encontramos tantos problemas no processo que tudo acabou se atrasando."A obra custou R$ 140 mil à Secretaria Municipal de Cultura - e eliminou as rachaduras nas paredes, além dos fungos e dos cupins que deterioravam a histórica casa, de 130 metros quadrados e oito cômodos. Os pilares de madeira que sustentam a casa sofriam com a umidade excessiva e tinham as bases apodrecidas. "Criamos uma proteção de concreto", diz o engenheiro. Foi a quarta grande reforma pela qual passou a construção, que pertence à Prefeitura desde 1936. A maior delas, da década de 50, praticamente reconstruiu o imóvel, que estava em ruínas. "Além do pau-a-pique, há trechos feitos com tijolos de cinco tipos", afirma ele. Resultado, obviamente, de intervenções anteriores sem preocupação histórica.Tombada pelos órgãos municipal, estadual e federal de preservação patrimonial (Conpresp, Condephaat e Iphan), a Casa do Grito ficou conhecida por esse nome graças ao artista plástico Pedro Américo. Ela aparece em sua célebre tela Independência ou Morte, pintada entre 1886 e 1888 e em exposição permanente no Museu do Ipiranga. Acredita-se, entretanto, que a construção ainda não existia quando d. Pedro I soltou seu "brado retumbante".De acordo com pesquisadores do DPH, o mais provável é que ela tenha sido erigida em 1844. Pertencia a Guilherme Antonio de Moraes, um sujeito que possuía dois carros de boi e ganhava a vida com eles. De 1887 a 1911, a casa passou por diversos proprietários, até acabar comprada pela família Tavares de Oliveira. Nessa época, já bastante deteriorado, o imóvel chegou a ser utilizado como cocheira.Desapropriado pela Prefeitura em 1936, ficou abandonado por quase duas décadas, até a sua recuperação. Transformou-se em monumento comemorativo à proclamação da Independência, parte do complexo do próprio museu.EXPOSIÇÃOPara marcar a reabertura do espaço, entra em cartaz a exposição Da Independência ao Grito: História de uma Casa de Pau-a-Pique. As cerca de 50 peças que integram a mostra permanente aberta hoje são fruto de escavações arqueológicas realizadas na casa durante a década de 80. Há pedaços de vidro, fragmentos de cerâmica e pedras trabalhadas. "Possivelmente, foram utilizadas pelos antigos moradores", afirma a curadora da exposição, Margarida Davina Andreatta, arqueóloga da Universidade de São Paulo (USP). Há 20 anos, ela participou das escavações. Serviço:Da Independência ao Grito: História de uma Casa de Pau-a-Pique: Parque da Independência, s/n.º, Ipiranga. De terça a domingo, das 9 às 17 horas. Tel: (0xx11) 2068-0032. GrátisNÚMEROSR$ 140 mil é quanto custou a recuperação do imóvel, de 130 m², bancados pela Secretaria Municipal de Cultura4ª grande grande reforma da Casa do Grito. As outras foram realizadas nos anos de 1955, 1982 e 19981844 é a data que se acredita ser a da construção original

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