Após 2 mudanças, presidente vai ao Paraguai discutir investimentos

Resolvido o imbróglio de Itaipu, Brasil busca oportunidade de negócios como infraestrutura, [br]agricultura e indústria

Lisandra Paraguassu, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2011 | 00h00

BRASÍLIA

A presidente Dilma Rousseff desembarca em Assunção amanhã, a fim de começar a mudar a relação com o Paraguai. A meta, depois de dobrar o valor pago pela energia de Itaipu Binacional e de acertar o início das obras da linha de transmissão da hidrelétrica até a capital paraguaia, é começar a explorar as perspectivas e investimentos e negócios como país vizinho. Os acordos que vão ser assinados são parcerias que miram a melhora da infraestrutura do Paraguai.

A visita da presidente já foi adiada duas vezes. A primeira, proposta para março, não chegou a ser marcada porque o Congresso brasileiro não havia aprovado o acordo que dobrava o preço da energia de Itaipu e a visita se transformaria, mais uma vez, em um encontro cheio de cobranças. A segunda data era no início de maio, mas foi cancelada por recomendações médicas, já que Dilma ainda se recuperava de uma pneumonia.

Agora, a presidente vai aproveitar a Cúpula do Mercosul para uma reunião bilateral com o presidente paraguaio, Fernando Lugo. A intenção é acertar para breve missões empresariais ao Paraguai. Com a construção da linha de energia e o país crescendo acima de 10%, como no ano passado, o interesse brasileiro pelas oportunidades de negócios foi aguçado. Agricultura, obras de infraestrutura e fábricas de diversas áreas podem render negócios para os empresários brasileiros.

"Entre adultos". A avaliação do governo é que o Paraguai precisa de investimentos e o Brasil pode ter retorno com as oportunidades no país vizinho. Ao mesmo tempo, com a retirada do problema Itaipu do caminho, a conversa agora passa a ser, dizem os diplomatas, "entre adultos".

Os seis acordos que deverão ser assinados por Dilma e Lugo ainda têm o Brasil como referência de país rico e doador, mas são parcerias que apontam para um novo horizonte. O principal deles prevê um ajuste em um acordo já existente de segurança nas fronteiras. Nesse caso, o Brasil dará apoio para a criação de um laboratório de criminalística no Paraguai, além de ajudar a desenvolver um sistema de inteligência policial.

Também está previsto que o Brasil ajude os vizinhos a desenvolver a TV digital no país, já que os paraguaios adotaram o sistema nipo-brasileiro. Além disso, estão na pauta acordos de capacitação de governos locais, de cooperação técnica em agricultura e na área judiciária.

Mercosul. Apesar dos ainda constantes problemas entre os países membros, a Cúpula do Mercosul, que será realizada nesta quarta-feira, não promete grandes decisões. De acordo com o Itamaraty, o momento é de uma "reflexão sobre o futuro", já que em 2010 foram finalmente fechados os últimos acordos de integração aduaneira e de cidadania.

Um dos pontos que deverá ser debatido é a possível ampliação do grupo. A participação efetiva da Venezuela ainda precisa ser votada pelo Congresso paraguaio, que até agora não ratificou a decisão como retaliação ao Brasil pela não aprovação do acordo relativo a Itaipu pelo Congresso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.