Após 20 dias, rapaz preso por engano é solto

A família de Rodrigo Cavalcante, de 23 anos, fez um churrasco nesta quarta-feira para comemorar sua saída da cadeia. Preso por um crime que não cometeu, ele dividiu por 20 dias uma cela com 18 homens. É mais uma vítimas de erros cometidos em inquéritos policiais e em decisões da Justiça ? número que as autoridades sequer se arriscam a estimar.O rapaz foi acusado de matar quatro pessoas em um posto de gasolina próximo de sua casa em Guarulhos, na Grande São Paulo, só porque vestia a mesma roupa ? calça jeans e camiseta preta ? que um dos assassinos. O crime ocorreu na madrugada de 9 de setembro e foi gravado pela câmera de segurança do local.As vítimas conversavam sentadas em cadeiras de plásticos dentro do posto, onde há uma loja de conveniência. As imagens captadas mostram dois homens se aproximando a pé. Ambos estão encapuzados. Eles apontam as armas, atiram contra as vítimas e vão embora.Em seguida, curiosos se aproximam. Mesmo vendo uma das vítimas agonizar, não a socorrem. Policiais militares chegam ao local e colocam os feridos no banco traseiro das viaturas.Cavalcante aparece nos minutos seguintes, entre os curiosos. Ele conversa com o frentista e vai embora. Vinte e sete dias depois, é acordado com policiais em sua casa, levando um mandado de prisão contra ele. Antes, Cavalcante já havia sido detido incorretamente: os policiais pensaram que ele seria César Pereira Alves Júnior e o soltaram dias depois.Análise preliminar das imagens feita pelo perito Ricardo Molina, a pedido dos advogados do rapaz, apontam que o assassino mede 1,80 metro. Cavalcante tem 1,65 metro.A gravação não foi anexada ao processo pelo delegado responsável pelo caso, Wagner Coimbra Terribili. Ele também se recusou a ouvir o álibi do rapaz. Cavalcante estava com o primo Leandro na hora do crime. ?Ele disse que não precisava me ouvir porque estava convicto?, contou Leandro. Até as 20 horas de ontem, a Secretaria da Segurança Pública não se manifestou sobre o caso.

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