Após 21 dias, Anvisa divulga sumiço de remédio controlado

A Agência de Vigilância em Saúde (Anvisa) demorou 21 dias para tornar público o "sumiço" de uma caixa contendo mais de 5 mil comprimidos de talidomida, remédio sujeito a um controle rigoroso por causa dos graves efeitos colaterais que provoca. Lançada para combater enjôos em gestantes, a droga provoca malformações no feto e hoje é usada somente no tratamento de alguns casos permitidos pelo Ministério da Saúde. O extravio ocorreu dia 13 de novembro, durante o transporte de cinco caixas do remédio do laboratório fabricante, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, para a Secretaria de Saúde de Santa Catarina.As cinco caixas saíram do laboratório em um veículo da Vootur. No Aeroporto de Pampulha, o material foi despachado para Santa Catarina, num vôo com escala em São Paulo. Em São Paulo, os registros já demonstravam haver apenas quatro caixas.A Funed admitiu demorou a notificar a Anvisa. Mas atribuiu a demora a uma série de medidas que teve de adotar para se certificar de que a caixa não estava em algum aeroporto do País, extraviada. Ainda segundo a assessoria de imprensa, além da Anvisa, foram notificadas a Polícia Federal e a Vigilância Sanitária local.Apesar de haver recebido o comunicado dia 27 de dezembro, somente dia 17 de janeiro a Anvisa divulgou uma nota sobre o "extravio". Ainda assim, sob a forma de informe técnico. "É um descaso lamentável, uma mostra de como a vigilância pode ser frouxa", afirmou Arthur Souza, do Morhan, movimento que defende os direitos de portadores de hanseníase. "Não conseguimos entender por que o assunto foi tratado dessa forma, como se fosse algo corriqueiro ou um remédio qualquer", completou.

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