Após 21 horas, termina rebelião em presídio de Teresópolis

Durou 21 horas a rebelião de 130 presos na carceragem da delegacia de Teresópolis, na região serrana, nesta quarta-feira, 25. Dois detentos foram agredidos por grupos rivais e outros dois sentiram-se mal. O carcereiro Róbson Almeida da Silva, único refém do motim, foi libertado sem ferimentos, mas estava em estado de choque. A polícia negou que ele tenha sido amarrado a um botijão de gás.Os presos atearam fogo aos colchões e roupas, dispararam pelo menos seis tiros dentro do prédio sem atingir ninguém, mas não houve confronto direto com os policiais. Eles exigiram o fim da superlotação da carceragem, capaz de receber 60 presos.Depois de muita negociação, a reivindicação foi parcialmente atendida. Quarenta e dois detentos, entre eles os líderes do motim, foram transferidos no fim da tarde de ontem para a Polinter e a Casa de Custódia de Magé, na Baixada Fluminense. "A transferência só foi concedida porque era necessária", disse a juíza responsável pela Vara Criminal de Teresópolis, Daniela Barbosa."A construção de uma casa de custódia é uma reivindicação antiga, para evitar superlotações", disse o promotor Décio Alonso, do MP. O prefeito de Teresópolis, Roberto Petto (PDT), afirmou que a carceragem da delegacia "era um barril de pólvora que poderia estourar a qualquer momento."O motim começou por volta das 19 horas de terça-feira, após uma tentativa de fuga. Os detentos, então, renderam o carcereiro, de quem roubaram uma pistola e um revólver. A delegacia foi cercada por agentes que estavam lá e por policiais do Batalhão da PM de Teresópolis.Depois, chegou o reforço de policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Policia Civil e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, que iniciaram as negociações. Os presos exigiram inicialmente a presença da imprensa e de promotores do Ministério Público.Um cinegrafista de uma emissora local chegou a entrar na delegacia. Durante a madrugada, os detentos espancados foram levados para o Hospital das Clínicas de Teresópolis. Pela manhã, um helicóptero da Polícia Civil sobrevoou a região. Policiais fizeram cordão de isolamento perto da delegacia e interditaram a Avenida Alberto Torres, uma das principais da cidade.Por volta do meio-dia, os detentos queimaram colchões e roupas, mas os bombeiros debelaram as chamas em poucos minutos. Após o fim da rebelião, familiares de alguns presos iniciaram um protesto, rapidamente controlado pelos PMs. "Há um ano, as celas estão cheias. O único jeito foi fazer motim", afirmou a dona de casa Gilda Pereira da Silva, de 45 anos, mãe do detento Juan Pereira da Silva, de 25, preso há oito meses por tráfico de drogas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.