Após 26 horas, índio é retirado de árvore no Rio

Após 26 horas, índio é retirado de árvore no Rio

José Guajajara, que foi levado a hospital, protestava desde a manhã de segunda-feira contra desocupação do antigo Museu do Índio

Marcelo Gomes e Sergio Torres, O Estado de S. Paulo

17 Dezembro 2013 | 11h17

Atualizado às 14h55

RIO - O suposto índio que se identifica como Urutau José Guajajara  foi retirado na manhã desta terça-feira, 17,  da árvore em que permaneceu por 26 horas, em protesto contra a possibilidade de demolição do Museu do Índio, vizinho ao estádio do Maracanã (zona norte do Rio).

Guajajara, de 54 anos, foi levado em uma ambulância do Corpo de Bombeiros para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro. Em seguida, ele foi encaminhado em uma viatura do Batalhão de Choque da Polícia Militar para a 18ª DP (Praça da Bandeira), onde chegou pouco antes das 13h. O advogado Arão da Providência, que defende os indígenas, está reunido com Urutau dentro da delegacia. Cerca de 20 ativistas que apoiam a ocupação também estão no local. Entre eles um está fantasiado de Batman.

Remoção. Antes de descer da árvore, o homem foi cercado por bombeiros, que subiram de maneira simultânea por três acessos diferentes. Guajajara não reagiu nem insultou os bombeiros, diferentemente dos cerca de 30 ativistas que acompanharam a ação com xingamentos dirigidos aos policiais e bombeiros.

Vestido apenas com uma bermuda, trazendo um cocar no alto da cabeça, o homem foi levado até o chão por cordas, ao estilo rapel, às 11h30. Imediatamente, os bombeiros o colocaram em uma ambulância, que seguiu para o Hospital Souza Aguiar, no centro.

Os ativistas tentaram evitar a saída da ambulância e houve enfrentamento. De dentro da ambulância, pertencente ao Corpo de Bombeiros, foi aspergido um spray de pimenta, que atingiu em cheio aos manifestantes, entre eles, o advogado do suposto indígena, Arão da Providência.

"Isso é prisão. É o Estado usando a força para interferir na pauta dos movimentos sociais", esbravejava Providência, com os olhos lacrimejantes.

O advogado reclamou ainda da decisão da Polícia Militar de retirar os manifestantes do velho museu. "O governador (Sérgio Cabral, do PMDB) acha que o prédio é dele", gritava.

Guajajara subiu no alto da árvore, a 4 metros de altura, às 9h30 de segunda-feira, 16, durante a remoção dos manifestantes, indígenas e simpatizantes. Desde então praticamente não se alimentou nem bebeu água.

Alimento. Às 8h30 desta terça, os ativistas - que estavan uma distância de cinco metros da árvore, que está cercada desde a manhã de segunda-feira - conseguiram entregar a Urutau um pacote de biscoito de água e sal e água. A comida foi colocada dentro de um saco plástico, que foi arremessado com um barbante. Foi a primeira vez que o índio se alimentou desde a manhã de segunda, quando subiu na árvore.

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