Após 28 anos, Sambódromo do Rio conclui projeto original de Niemeyer

Foliões encontrarão a Sapucaí com 12,5 mil lugares a mais, camarotes com varanda e sistema de som e iluminação mais potente

Fábio Grellet, de O Estado de S. Paulo,

15 Janeiro 2012 | 23h26

No dia12 de fevereiro, quando a Beija-Flor fizer no sambódromo do Rio seu último ensaio antes do desfile do carnaval 2012, a passarela do samba vai testar pela primeira vez sua nova configuração. Neste ano, haverá 12,5 mil lugares a mais do que no ano passado, além de sistema de som 50% mais potente, iluminação melhor e camarotes mais confortáveis.

 

A reforma começou com a substituição da fábrica desativada da cervejaria Brahma por novos lances de arquibancada. A mudança, encerrada a apenas uma semana do desfile, vai permitir que o projeto original do arquiteto Oscar Niemeyer seja concluído.

 

O novo projeto representa um desafio aos carnavalescos - eles terão de adequar alegorias e fantasias à nova iluminação, que passou a ser igual dos dois lados - e aos ritmistas - que terão de manter o equilíbrio entre voz e instrumentos.

 

Quando o sambódromo foi construído, em apenas 120 dias, às vésperas do carnaval de 1984, a fábrica da Brahma estava em plena atividade e sua remoção era inviável. Por isso, no setor par foram construídos apenas três lances de arquibancadas. No lado ímpar, desobstruído, havia seis.

 

A simetria do projeto original não foi respeitada por causa da dificuldade em remover a fábrica. Apesar da desativação da cervejaria, o espaço continuou sendo usado para abrigar o camarote da Brahma, que em 1991 passou a receber celebridades.

 

Na década de 1990, a Prefeitura do Rio ensaiou pelo menos duas tentativas de derrubar o prédio e construir as arquibancadas, mas a obra foi descartada porque a área era tombada como patrimônio histórico.

 

Em 2009, porém, a mudança se tornou obrigatória ao ser incluída no projeto que alçou o Rio à sede da Olimpíada de 2016. A Prefeitura indicou o sambódromo como palco da chegada da maratona e da disputa de tiro com arco e, em junho passado, a obra finalmente saiu do papel.

 

Hotel e salas comerciais. A antiga fábrica e o primeiro lance de arquibancadas antigas foram destruídos, dando lugar a quatro novos setores (2, 4, 6 e 8) com arquibancadas e camarotes. A construção custou R$ 30 milhões, pagos pela AmBev (Companhia de Bebidas das Américas), dona da antiga fábrica. Em contrapartida, a empresa vai erguer um prédio de 18 andares - para abrigar hotel e salas comerciais - atrás das arquibancadas.

 

O acréscimo de 20% na quantidade de ingressos não facilitou o acesso aos desfiles: todos os convites de arquibancadas, com preços de R$ 160 a R$ 400, foram vendidos em 29 minutos, na última quarta-feira. No ano anterior, haviam se esgotado em 32 minutos. Agora, restam apenas os ingressos populares, com vista para a dispersão, que ainda não foram colocados à venda.

 

Uma atração para quem vai assistir aos desfiles são os novos camarotes: 96 deles têm varanda e capacidade para 18 pessoas. Custam de R$ 48 mil a R$ 85 mil. Já as unidades antigas, para até 12 pessoas e com apenas janelas, saem de R$ 32 mil a R$ 56 mil. Ao todo, o sambódromo terá 353 camarotes, 72 a menos do que na configuração anterior.

 

O camarote da Brahma não deixou de existir. Será montado perto do setor 2. Para carnavalescos e ritmistas, a reforma é um desafio que será testado apenas na hora do desfile. Sem o paredão que era a fachada da antiga fábrica, mudam a iluminação e a propagação do som da passarela do samba. As novas torres de luz do setor par são simétricas às do setor ímpar e a potência do som aumentou 50%. Por enquanto, os carnavalescos preferem não se manifestar sobre as mudanças, ainda não testadas pela maioria.

 

"Meu carnaval foi preparado para os dois lados (das arquibancadas). Quando surgiu essa ideia de se mexer no Sambódromo, busquei saber como ficaria. A resposta é bem melhor do que quando tínhamos os camarotes", disse Laíla, diretor de carnaval da Beija-Flor, primeira escola a ensaiar sob a nova configuração, satisfeito após o primeiro teste, realizado no domingo retrasado. Para que os mestres de bateria identificassem a necessidade de mudar o número ou a posição dos ritmistas, a Liga das Escolas de Samba chegou a prever um encontro de baterias, mas a proposta foi descartada em razão do atraso de cerca de um mês nas obras. As baterias mantiveram a distribuição habitual.

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