Após 3 anos de briga, Jonas se rendeu ao samba

Evangélico que mora diante da Unidos da Vila Maria pôs tábua na janela para abafar o som

O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2008 | 00h00

Depois de muito brigar e passar noites em claro, o aposentado Jonas Cândido e Silva, de 67 anos, que mora em frente da quadra da escola de samba Unidos de Vila Maria, na zona norte, se entregou ao samba. Pelo menos no quesito "aceitação"."Quando percebi o barulho dos ensaios, logo pensei: e agora, Senhor?" Evangélico, Silva não gosta de carnaval. Três anos depois de reclamar da batucada para a diretoria, acabou mudando de opinião e atualmente convive perfeitamente com o sambão ao lado de casa."Onde existe amor, há união e força", diz. No mesmo terreno onde vive o aposentado moram seus dois filhos. "No começo, meus netos choravam com o barulho, dava desespero, mas com o tempo fui colocando tábua na janela para isolar o som e vivendo feliz."Silva também fecha toda a casa para poder conversar. "É claro que eu não vou pular carnaval, mas já almocei com eles, conheci a escola e, pela televisão, só assistimos a esse desfile para poder torcer."Em determinada ocasião, o aposentado e o carnavalesco da escola, Wagner Santos, se estranharam. A situação não demorou a mudar. "Eu vi que eles estavam dispostos a colaborar comigo, respeitam o horário do som, e eu aprendi que tem horas em que o melhor é aceitar."Nem todos, porém, pensam como Jonas. A aposentada Rosa Bernardo de Benedeto, de 78 anos, tem uma casa há 60 em frente da quadra da escola X-9 Paulistana, também na zona norte. "Quando tem ensaio, a TV fica no volume máximo, ou então não se ouve nada." Rosa disse que, no ano passado, o marido, já falecido, fez abaixo-assinado levado à Prefeitura e à escola, mas de nada adiantou.A vizinha dela, a pedagoga Alexandra Cordeiro, 42, já ligou para a Prefeitura, mas ainda vive com o barulho. "Não podemos conversar, mesmo com a janela bem fechada. Sem contar a sujeira que fica na rua, porque muitos ambulantes trabalham em dia de ensaio." Procurada, a X-9 Paulistana não retornou os contatos da reportagem.MULTASO Programa de Silêncio Urbano (Psiu) recebeu desde o início do ano nove reclamações por causa de barulho das escolas. Quatro concorrem no Grupo Especial. Entre elas, a Pérola Negra, que já recebeu multa de R$ 25 mil por barulho. E a Vai-Vai, multada em R$ 24 mil. A Unidos de Vila Maria teve reclamação por ruído, mas nunca foi multada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.