Após 3 anos, sai a licitação para demolir o São Vito

Defensoria Pública diz que vai acelerar providências para que área seja destinada para moradia popular

Diego Zanchetta e Vitor Sorano, O Estadao de S.Paulo

28 de outubro de 2008 | 00h00

A Prefeitura de São Paulo abriu concorrência para a demolição do Edifício São Vito, marco da degradação do centro velho de São Paulo, mesmo sem firmar acordo para a remoção de 133 famílias do vizinho Mercúrio. Por causa do risco de abalo na estrutura do prédio ao lado, a demolição do São Vito depende da desapropriação do Mercúrio. O projeto para a implosão dos dois edifícios se arrasta desde 2005 e é contestado na Justiça por 59 proprietários e ex-moradores.No lugar do Mercúrio e do São Vito, a Prefeitura planeja construir uma praça de 5,4 mil metros quadrados para integrar o Mercado Municipal, Parque D. Pedro II e Palácio das Indústrias. A região hoje segue abandonada, tomada por viciados que permanecem sobre os quatro viadutos da área durante à noite. O governo também abriu no mês passado licitação de R$ 3,5 milhões para implodir o Viaduto Diário Popular. Ao todo, o projeto de revitalização está estimado em R$ 90 milhões.A demolição do São Vito terá de ser por meio de implosão e trabalho manual. O governo ainda não detalhou, contudo, como será a intervenção na Avenida do Estado, principal ligação entre a capital e o ABC paulista, durante as obras. Urbanistas alertam que só a remoção dos entulhos (75 mil toneladas) dos edifícios levaria pelo menos três meses. No Edifício Mercúrio, dos 144 imóveis, somente 11 estão vazios. O São Vito, conhecido como "treme-treme", de 624 apartamentos e 26 andares, está desocupado desde 2004. A visita dos interessados na licitação ao São Vito está marcada para os dias 3 e 13 de novembro."Já estávamos esperando (a licitação). Isso só vai acelerar nossas providências jurídicas. A região dos prédios se tornou uma Zona Exclusiva de Interesse Social (Zeis) pela revisão do Plano Diretor, em 2004", afirma o coordenador do Núcleo de Habitação da Defensoria Pública do Estado, Carlos Loureiro, que defende a reforma dos prédios e a destinação dos apartamentos para famílias de baixa renda. "Nenhuma demolição poderá ter início antes da remoção das famílias do Mercúrio", afirma Loureiro.As indenizações pagas aos proprietários dos apartamentos de 39 m² do Mercúrio variam de R$ 20 mil a R$ 30 mil. Para os ex-donos de imóveis do São Vito, a indenização variou entre R$ 4 mil e R$ 14 mil. Quem já aceitou a indenização poderá morar em um conjunto habitacional na Rua Riachuelo, também no centro. O governo municipal informou ontem, por meio de Assessoria de Imprensa, que a implosão do São Vito não terá início antes da desapropriação do Mercúrio ser concluída.Enquanto o impasse segue, inquilinos continuam chegando para morar no Mercúrio. Maria do Socorro da Rocha, de 27 anos, é uma das recém-chegadas. Está há cinco meses no edifício, com o marido e duas filhas. A casa em uma favela do Rio, de onde saiu para viver em São Paulo, foi vendida. O aluguel e o condomínio do apartamento - dois quartos, sala, cozinha e pequena lavanderia - saem, no total, por R$ 500. "Meu marido faz bico em um estacionamento. Como é que vou pagar aluguel maior que isso?", afirma Maria do Socorro. RECUPERAÇÃOPromessa feita em 2005 pelo prefeito José Serra (PSDB), a revitalização do Parque D. Pedro II nunca saiu do papel. Outras intervenções foram deixadas de lado, como a reforma da Casa das Retortas, que se tornaria uma filial do Anhembi. No local, funcionou uma antiga usina de gás. O quartel do Exército, de 1842, também permanece abandonado e destruído na Avenida do Estado.

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