Após 3 ministros, a escolha certa por FHC

Itamar Franco entrou para a História como o presidente do Plano Real, que encerrou um período de quase uma década de inflação galopante e hiperinflação, e lançou as bases para todos os avanços econômicos do País até hoje. Mas, para quem assistiu ao início do governo de Itamar, após sua posse em 29 de dezembro de 1992, era muito difícil prever que o político mineiro seria capaz de um feito histórico de tamanha magnitude.

Fernando Dantas, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2011 | 00h00

Com suas raízes no PTB e depois no MDB "autêntico", Itamar não tinha nenhuma identificação com os economistas e tecnocratas de perfil mais ortodoxo (embora muitos também viessem da esquerda) que conceberam e executaram o Plano Real.

No início do seu governo, com a inflação rodando a cerca de 1.500% em termos anualizados, o presidente não dava sinais claros do que pretendia em termos de política econômica. Essa falta de rumo fica clara no fato de que quatro ministros da Fazenda se sucederam num período de menos de oito meses: Gustavo Krause, Paulo Haddad, Eliseu Resende e Fernando Henrique Cardoso.

Cartada. Com esta última escolha, Itamar deu a grande cartada de seu mandato. Fernando Henrique já era ministro das Relações Exteriores e foi transferido para a Fazenda. Com o conhecido trânsito de FHC entre os economistas mais sofisticados do País, logo se criou a expectativa de que um novo plano para acabar com a hiperinflação seria tentado ainda no governo Itamar.

Os obstáculos a uma nova tentativa de estabilização, porém, eram imensos. A situação fiscal era precária, e havia uma sucessão de planos fracassados desde o Cruzado, em 1986, culminando com os Planos Collor I e II.

Itamar deu carta branca a Fernando Henrique, que conseguiu convencer o grupo de economistas formado por André Lara Resende, Pérsio Arida, Edmar Bacha, Pedro Malan e Gustavo Franco, entre outros, que haveria condições de fazer um ajuste fiscal prévio e depois partir para a estabilização. A proposta era usar a ideia de Lara e Arida de criar uma moeda indexada à inflação, a URV, que depois seria convertida em moeda, o real.

O plano foi posto em prática, a URV vigorou a partir de fevereiro de 1994, e o real, no início de julho. O plano deu certo e levou à eleição de FHC. A aposta de Itamar foi vencedora.

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