Após 46 horas, chega ao fim rebelião em Guarapuava, no Paraná

Após 46 horas, chega ao fim rebelião em Guarapuava, no Paraná

40 presos lideraram motim e exigiram remoção de 28 detentos; agentes penitenciários e presidiários foram feitos reféns desde 2ª

Julio Cesar Lima, Especial para O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2014 | 12h33

CURITIBA -  A rebelião na Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG), no Paraná, chegou ao fim, após 46 horas marcadas por momentos de tensão. Segundo o tenente Fabio Zarpellon, da Polícia Militar, às 10h, iniciou-se o processo de rendição. "Poderemos considerar como final da rebelião o momento em que todos os reféns, tanto agentes quanto alguns presos, forem liberados e a polícia checar toda a área", disse.

Entre as exigências feitas pelos presos está a remoção de 28 detentos para unidades prisionais do Estado e também de Santa Catarina, que deve acontecer até o final do dia. Os perfis desses criminosos transferidos, porém, não foram detalhados pela Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju).

No primeiro dia, autoridades informaram extraoficialmente que os líderes pudessem pertencer a alguma facção criminosa ou fossem alguns dos presos transferidos de Cascavel após a rebelião ocorrida no mês passado, mas nenhum grupo organizado assumiu a autoria do motim.

A rebelião teve início às 11h30 desta segunda-feira, 13, e foi liderada por 40 presos, que fizeram 12 agentes penitenciários como reféns e outros 60 presos - desse total, três agentes foram liberados, 11 detentos pularam do telhado, dois foram atirados pelos líderes e outro grupo de presos acabou liberado no pavilhão. Os seis presos que continuaram como reféns até o fim do motim cumprem penas por crimes sexuais.

Além da transferência de presos, a troca da direção, o fim a supostos maus tratos e melhorias na alimentação estavam na pauta de exigência dos rebelados.

No início da rebelião, um dos agentes penitenciários foi queimado com cola e outros materiais inflamáveis e teve 40% do corpo ferido Ele precisou ser encaminhado para um hospital próximo e já está liberado.

Quanto aos reféns, os presos fizeram rodízios e a cada hora amarravam algum deles a um para-raios sob a ameaça de serem jogados caso a polícia decidisse invadir o local.

Essa foi a primeira rebelião ocorrida na PIG desde sua fundação, há 15 anos, e já foi considerada uma prisão modelo, pois nela existem atividades de educação, trabalho e ressocialização. 

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