Após 54 anos no centro, Othon fecha as portas

Inaugurado no 4.º Centenário, hotel estava no vermelho desde 2006

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

17 de dezembro de 2008 | 00h00

Um dos ícones da rede hoteleira paulistana, o Othon Classic, no centro velho de São Paulo, fechou suas portas após 54 anos de atividade. O hotel, um dos quatro-estrelas mais badalados da cidade, acabou sendo vítima da debandada dos hóspedes para unidades na região das Avenidas Paulista e Engenheiro Luís Carlos Berrini. Agora, a torre de 25 andares vizinha à Praça do Patriarca e ao Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura, será colocada à venda por cerca de R$ 25 milhões. "A localização é privilegiada, tem um bom apelo comercial", disse Álvaro Brito Bezerra de Mello, presidente da Rede Othon no Brasil e da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih).A agonia do Othon Classic se intensificou nesta década. Para procurar salvá-lo, o escritório central, no Rio, tentou de tudo: baixou o padrão, reduziu as tarifas e, por fim, passou a funcionar com apenas metade de seus 260 apartamentos. "A diária média caiu para R$ 90, R$ 100. Era um valor impraticável", argumentou Mello. "Na região da Paulista, por exemplo, os hotéis menos luxuosos cobram pelo menos o dobro." Durante um ano e meio, disse o empresário, a unidade operou no vermelho, tendo de ser socorrida pelos outros hotéis da rede. "Chega uma hora que você tem de ser realista. Não somos como o Copacabana Palace. O hotel estava morrendo, não dava mais para financiar aquela situação. Foi quando resolvemos fechar", relembra o proprietário.Os cerca de cem funcionários tiveram de ser dispensados por falta de vagas nos outros três empreendimentos da rede na capital - dois nos Jardins e um no Brooklin. As obrigações trabalhistas, segundo Mello, foram integralmente cumpridas e alguns já conseguiram se recolocar no mercado. "Fizemos uma bela festa, relembramos os velhos tempos e choramos muito ao nos despedirmos", contou o dono do hotel. A história do Othon Classic está intimamente ligada à cidade. Inaugurado em 1954 durante as festas do 4º Centenário, abrigava no último andar um dos mais luxuosos restaurantes da capital, o Chalet Suisse (Chalé Suíço), com vista deslumbrante para o Vale do Anhangabaú. "Ali se comia o melhor fondue de São Paulo", assegura Mello. A última vez em que o lobby do hotel ficou cheio foi durante o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1 deste ano, realizado entre os dias 31 de outubro e 2 de novembro. As portas do número 190 da Rua Líbero Badaró foram definitivamente fechadas na segunda-feira seguinte à corrida, dia 3.Mesmo chateado, Mello considera normal o fechamento da unidade. "As cidades comerciais se movem muito rapidamente. São Paulo, assim como Nova York, tem essa tendência de se expandir para o sul", avalia. "O que era bom há 20, 30 anos hoje já não é mais. Mesmo os hotéis da região da Paulista já não trabalham tão bem quanto antes. A bola da vez é a Berrini", disse o presidente da Abih, referindo-se à avenida que corta o Brooklin, na zona sul. Por enquanto, diz ele, a rede hoteleira do País ainda não sentiu qualquer reflexo da crise econômica global. "Viajar para o exterior ficou mais caro e muita gente deve ficar por aqui. Até o carnaval não devemos sentir qualquer efeito da crise." AINDA VAZIOSHilton: em outubro de 2004, depois de 30 anos instalado no número 165 da Avenida Ipiranga, no centro de São Paulo, a rede se mudou definitivamente para a unidade do Morumbi, na zona sul da capital. O prédio permanece vazio até hoje. Chegou a ser alugado no fim do ano passado por R$ 670 mil mensais pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), mas o contrato foi temporariamente "suspenso" por divergências entre as partesCrowne Plaza: o cinco-estrelas da Rua Frei Caneca, na região da Avenida Paulista, fechou as portas em maio deste ano. Foi vendido ao Ministério Público Federal (MPF) por R$ 42 milhões, mas ainda não há prazo para que o imóvel seja reocupadoCaesar Park: em maio de 2004, a unidade da Rua Augusta, localizado a duas quadras da Avenida Paulista, encerrou suas atividades depois de 27 anos. O projeto inicial era transformar o prédio em um conjunto residencial voltado para casais jovens e universitários. A idéia naufragou e o prédio acabou vendido para uma universidade. Chegou a ser usado como estacionamento e, no ano passado, foi atingido por um incêndio provocado por curto-circuito. Passou por reformas, mas até hoje não se sabe qual será o seu destino

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