Após 7 anos, Planetário do Ibirapuera volta a funcionar

Após 7 anos, o Planetário do Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, foi reaberto na manhã desta sexta-feira, 23. Fechado desde 1999 por problemas na estrutura que representavam riscos aos visitantes, o local volta a funcionar com equipamentos de última geração. A primeira apresentação, iniciada por volta das 10h40, foi aberta somente para convidados, entre eles, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab e os secretários municipais de Transportes e do Verde e Meio Ambiente, Frederico Bussinger e Eduardo Jorge. O roteiro de estréia, que tem duração de meia hora, faz uma retrospectiva da história do planetário e também da cidade. Em princípio, essa projeção será apresentada por dois meses, nos fins de semana, às 15 horas. A entrada será gratuita e os 280 convites serão distribuídos uma hora antes do início. Nos meses seguintes, a diretoria do Planetário pretende apresentar mais tipos de exibição, como uma voltada para as crianças e a clássica. Nessas, Plutão, recentemente rebaixado a planeta-anão, estará presente. ´Tudo é resolvido com locução´, disse o diretor dos Planetários de São Paulo, o astrofísico Fernando Nascimento. O preço do ingresso não foi definido.Pioneiro na América Latina, o Planetário foi inaugurado em janeiro de 1957. O prédio é tombado por órgãos municipal e estadual do patrimônio histórico.Por causa de problemas causados por infiltração e uma infestação de cupim, o prédio com uma grande cúpula se tornou uma parte morta na paisagem do Ibirapuera. Os jovens nem sabem o que vai voltar a funcionar. ´Faz um tempão que venho aqui e sempre está em construção´, disse Thales Ribeiro Freier, de 10 anos. Mas o pai do garoto se recorda do antigo Planetário. ´Lembro a sensação do entardecer no começo da apresentação. Meu filho nunca foi a um planetário´, contou Eduardo Donateli, de 42 anos.TecnologiaO novo projetor é o StarMaster ZMP que custou R$ 5, 9 milhões, pagos à vista, por meio de carta de crédito. O equipamento é composto por 48 projetores auxiliares, cada um com uma função. Eles criam as imagens dos planetas, estrelas e constelações, podem exibir vídeos e até criar um desenho de prédios no horizonte.A principal inovação é que cada estrela é iluminada por um cabo de fibra óptica. O projetor antigo, da década de 40, era usado no Planetário desde a inauguração e só foi aposentado em 1999. Ele tinha só uma fonte de luz com uma placa perfurada.A máquina foi fabricada pela empresa alemã de equipamentos ópticos Carl Zeiss, responsável pela instalação do aparelho e de todos os computadores. No Planetário do Parque do Carmo, é usado um modelo parecido da companhia, mas adaptado ao diâmetro 20 metros maior da cúpula. Segundo o consultor de projetos da Omnis Lux, Luiz Sampaio, representante da Carl Zeiss no Brasil, há 11 projetores iguais no mundo.A cúpula do Planetário, que antes era de concreto, recebeu placas de alumínio, que têm minúsculos furos. Elas permitem refletir 65% da luz projetada.Toda a estrutura foi recuperada. Segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, a madeira usada como revestimento no interior da cúpula, foco da infestação de cupins, foi trocada e passou por um processo que impede a volta dos insetos. Para evitar problemas com a umidade, o concreto foi impermeabilizado. ´Depois de tantas reformas, vai ter céu para todos´, brincou Nascimento.

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