Após 7 meses, calçadas estão em ruínas

Pedestres têm de enfrentar trechos afundados e buracos na Rua Teodoro Sampaio, reformada em 2008

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2009 | 00h00

Os pedestres que passam pela Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, enfrentaram durante meses os problemas e riscos de andar perto dos veículos e em trechos em obras. O esforço valeria a pena, pois havia a promessa de que as novas calçadas seriam niveladas, com um piso mais seguro, e rebaixadas nas esquinas para facilitar o acesso de deficientes físicos. Mas, menos de sete meses após a inauguração dos primeiros trechos, o que se veem são buracos, blocos soltos e áreas afundadas. A recuperação teve início em setembro de 2007 no trecho entre as Avenidas Brigadeiro Faria Lima e Henrique Schaumann - uma extensão de 1,52 km. O custo total da obra foi de R$ 752,5 mil, ou seja, R$ 495 por metro de calçada. Foram colocados blocos de concreto intertravados para deixar a superfície mais aderente e as guias foram rebaixadas nas esquinas para facilitar o acesso. A previsão para a conclusão da obra era de quatro meses, mas, segundo a Subprefeitura de Pinheiros, houve atraso por causa da temporada de chuvas de janeiro de 2008. Em maio, o primeiro trecho foi entregue e, menos de sete meses depois, já apresenta problemas de afundamento em alguns pontos, blocos soltos e erguidos, provocando riscos para quem passa por ali."Tem um ponto em que fica um grande chafariz em dias de chuva. Toda a água da chuva que corre por aqui esbarra em um bloco levantado e respinga para o meio da rua", diz o vendedor Alexandre Almeida, que trabalha quase na esquina da Teodoro Sampaio com a Avenida Brigadeiro Faria Lima.Essa região é uma das piores para os pedestres, que muitas vezes preferem caminhar pelos cantos das ruas. Muitos blocos foram arrancados ou estão quebrados, formando uma sequência de buracos. Os acessos para deficientes não são rampas, como originalmente estava previsto, e sim pequenos degraus. No caso da esquina da Teodoro com a Faria Lima, o acesso fica ao lado de um buraco.Por causa dessas dificuldades, a professora americana Laura Falsztym, de 38 anos, evita passear com os filhos pela Teodoro Sampaio. Nascida no Estado do Kansas e moradora de Pinheiros há 12 anos, ela normalmente usa um carrinho duplo para bebês para sair com os filhos gêmeos. Mas, quando precisa ir ao comércio da região, somente leva um dos filhos. "Não consigo mais sair com o carrinho duplo. Ele já não cabe na calçada por causa dos vendedores de rua e ainda tenho que ficar desviando para não enroscar nas pedras", diz. Ela acrescenta que, em algumas esquinas, não consegue simplesmente empurrar o carrinho como se fosse subir uma rampa e precisa levantá-lo, como se estivesse em frente a um degrau.Os comerciantes também reclamam do estado das calçadas, principalmente porque já foram prejudicados durante o período das obras, que dificultavam o acesso dos clientes. "O piso não está nivelado, então fica perigoso para crianças e idosos que saem das lojas e não têm a mesma visão de quem já vem caminhando pelas calçadas", diz o gerente da loja Copel, Luiz Carlos Peixoto. Durante as obras, a loja estima que teve um prejuízo de 15%.CONSERTOSO projeto de recuperação foi ampliado no primeiro semestre de 2008 e praticamente toda a calçada da Rua Teodoro Sampaio sofreu intervenções, um total de 2,7 km. A Prefeitura não informou o valor total do restante da obra, que foi concluída em julho. O único trecho que não sofreu intervenções foi entre a Avenida Doutor Arnaldo e a Praça Paulo Cardoso Rebocho, perto do metrô Clínicas. A parte de subida da Teodoro, em direção à Doutor Arnaldo, é uma das que apresenta mais desníveis, com afundamento dos blocos em algumas áreas. Em outras, eles estão salientes e muitas pessoas correm o risco de tropeçar. Na tarde de ontem, uma equipe de operários trabalhava na recuperação das calçadas, no quarteirão entre as Ruas Cristiano Viana e Alves Guimarães. A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras não soube informar se as obras eram de algum trecho que permanecia inconcluso ou se ele já estava sendo refeito por causa dos problemas.A Prefeitura diz que não recebeu até agora reclamações de moradores e comerciantes a respeito do problema. Por meio de uma nota, a Secretaria da Coordenação das Subprefeituras afirma que fará uma vistoria nas calçadas da rua no início da próxima semana "providenciando a manutenção dos trechos danificados".

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