Após 72 horas de silêncio, Lula tenta mostrar controle da crise

Três dias após o maior acidente aéreo da história do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai romper o silêncio e fazer um pronunciamento com forte apelo emocional nesta noite, sobre a queda do vôo 3054 da TAM . Veja também:  Assista à comemoração de Marco Aurélio Garcia no YouTube    Marco Aurélio desculpa-se e ataca interpretação da mídia Lista de vítimas do acidente do vôo 3054  O local do acidente  Quem são as vítimas do vôo 3054  Histórias das vítimas do acidente da TAM  Galeria de fotos  Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Cronologia da crise aérea  Acidentes em Congonhas  Vídeos do acidente  Tudo sobre o acidente do vôo 3054 Considerado o momento mais difícil do governo desde o acidente com o avião da Gol, há dez meses, o governo optou por uma ajuda especializada. O publicitário João Santana, marketeiro da última campanha, foi acionado para atuar na elaboração do pronunciamento. Após sugestões da equipe de comunicação, o texto só foi elaborado nesta sexta-feira, sob comando do ministro titular da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins. Uma fonte credenciada informou que "o tom será mais emotivo do que técnico". Até a véspera, segundo esse interlocutor, considerava-se a possibilidade de o presidente anunciar as medidas de reorganização do tráfego aéreo nacional, particularmente o de São Paulo. Uma das medidas anunciadas à tarde pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é a redução de vôos e conexões no Aeroporto de Congonhas. Nessas 72 horas --desde que o avião, com 187 pessoas a bordo, não conseguiu pousar em Congonhas e acabou explodindo contra um prédio do outro lado da cabeceira da pista principal do aeroporto--, prevaleceu no Planalto o imobilismo. "Ele tenta reverter isso. Talvez fosse melhor ter agido como o prefeito de Nova York no 11 de setembro, que foi pra lá rapidamente, mas é muito difícil decidir isso no calor da hora. George W. Bush só visitou os escombros três dias depois", disse à Reuters um auxiliar do presidente que acompanhou todos os momentos seguintes à confirmação da explosão em Congonhas. Um pronunciamento chegou a ser cogitado assim que a Aeronáutica comunicou ao presidente a tragédia, mas foi descartado naquele dia por temor de avaliações precipitadas. A reação inicial majoritária do público e da mídia foi atribuir a causa do acidente às condições da pista principal do Aeroporto de Congonhas, responsabilidade da Infraero. O temor do Planalto persistiu, e as críticas se multiplicaram. O governo escalou técnicos para conduzir a operação e nenhuma autoridade de primeiro escalão do setor aéreo se manifestou nas horas seguintes ao acidente. Mas surgiram nos últimos dois dias novos dados que abriram o leque de possíveis causas do ocorrido, incluindo eventual defeito na aeronave. Considerada tardia até por alguns de seus assessores, a mensagem do presidente terá contornos velhos: condolências às famílias e pedido de prudência ao apontar culpados. Lula fará gestos para mostrar que está no controle da situação. O pacote de medidas anunciado nesta tarde servirá de suporte ofensivo para este fim. A expectativa é de que as propostas funcionem como uma justificativa para tanta demora. O futuro de parte da cúpula ligada ao setor também já foi decidido, mas não tem data certa para o desfecho. Um auxiliar de Lula contou que o ministro da Defesa, Waldir Pires, e o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, só ficarão no cargo até a semana que vem. Interlocutores do presidente afirmam, sem antecipar nome, que já há substituto para a Infraero, mas nenhuma decisão sobre o sucessor de Pires.

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