Após ação na Sé, Deic fecha ''fábrica de cheques''

Dupla foi detida com 1.500 folhas prontas; no centro, golpistas migraram para a Rua Direita

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

08 Julho 2009 | 00h00

Um estúdio acima de qualquer suspeita foi descoberto ontem por investigadores na Freguesia do Ó, na zona norte de São Paulo. No local, dois homens falsificavam talões de cheques. A prisão da dupla é um desdobramento da Operação Marco Zero da Polícia Civil paulista, desencadeada na segunda-feira para identificar suspeitos de traficar drogas, comprar mercadorias roubadas e falsificar documentos na Praça da Sé, na região central. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, no primeiro dia da blitz 90 pessoas foram detidas. Desse total, somente 11 continuam presas e três adolescentes foram detidos. O delegado Waldomiro Milanesi, titular da Divisão de Investigações sobre Crimes Contra o Patrimônio do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), afirmou que o programador de computador Régis da Silva, de 36 anos, e o eletricista Edson Francisco do Nascimento, de 28 anos, foram presos acusados de vender os cheques na região da Sé. A denúncia sobre a atividade da dupla surgiu depois da divulgação do combate à criminalidade desenvolvido na Sé. A casa parecia ser habitada por uma família. A equipe do Deic acabou cercando a residência dos dois rapazes, que fica na Rua Manuel Souza Moreira, e lá apreendeu material para impressão, um computador, uma impressora e programas para a confecção dos impressos. Ainda foram encontradas cerca de 1.500 folhas de cheque prontas. Segundo a polícia, a dupla vendia os cheques a comerciantes da região da Sé. Esses preenchiam os documentos e tentavam descontá-los nos bancos. Como na maioria das vezes os valores eram baixos, o cheque era pago. Quando o banco rejeitava pagá-lo, restava ao comerciante dizer que havia sido vítima de um cliente desonesto. Assim, o golpe parecia perfeito. Os dois envolvidos foram autuados por falsificação de documento e estelionato. A polícia não soube dizer se os suspeitos já tinham passagem por outros crimes. MIGRAÇÃO Na tarde de ontem, a reportagem percorreu toda a Praça da Sé e encontrou três viaturas do Deic estacionadas ao lado da catedral. Alguns policiais, de moto, patrulhavam a região. A presença desses investigadores, porém, não chegou a intimidar os "homens sanduíches" - vendedores de atestado médico, de exames de visão e até celulares, escondidos dentro de um grande número de rodinhas, nas Ruas Direita, 15 de Novembro e José Bonifácio. O Deic foi procurado pela reportagem para comentar o caso, mas não respondeu até as 22 horas de ontem. A Praça da Sé havia sido escolhida como alvo da operação policial porque nessa região havia sido detectado um crescimento de 3,8% dos roubos no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação ao último trimestre de 2008, o aumento do número de crimes no local chegava a 31%. Ao todo, foram registrados na área 942 roubos neste ano, a maioria cometida contra os pedestres que circulam pela região. COLABOROU MARCELO GODOY

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