Após acesso a projetos, grevistas recuam e mantêm paralisação

Entidades dizem que propostas resultam até em perdas; governo lamenta intransigência

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

23 Outubro 2008 | 00h00

Depois de acenar com o fim da greve na Polícia Civil, as entidades de classe, incluindo a Associação dos Delegados, recuaram e decidiram manteve a greve, que já dura 37 dias. Os dirigentes negam interesse eleitoral na decisão e afirmam que a prova disso é o fato de terem marcado a maior manifestação da categoria para segunda-feira, na Praça da Sé, centro de São Paulo, um dia depois das eleições municipais. Hoje, sindicalistas e presidentes de associações farão um ato na Assembléia Legislativa. A Secretaria de Gestão Pública lamentou a intransigência das entidades e diz que o assunto deve ser discutido agora no Legislativo, para onde foi encaminhado um projeto de lei com os reajustes.O que mudou o cenário, 24 horas depois da reunião com o delegado-geral, Maurício Lemos Freire, foi, segundo as entidades, uma leitura atenta dos três projetos enviados à Assembléia. "Quem tiver promoção ganhará um bom aumento, mas a maioria terá pouco e haverá ainda os que vão ganhar menos", diz o delegado André Dahmer, da Associação dos Delegados. Ele cita os agentes que ganham vale-refeição. Com o aumento de 6,5% prometido pelo governo no salário-base, receberiam R$ 60 a mais. Com isso, o salário deles ultrapassaria o teto estabelecido para o pagamento do benefício. "O governo dá R$ 60 e retira R$ 90. No fim, ele vai ganhar menos R$ 30. Assim não dá."Os delegados disseram que os projetos reservam surpresas como o fim da fiscalização exercida pela Ordem dos Advogados do Brasil nos concursos para delegado. "A questão não é só financeira, mas de dignidade. Retirar a OAB é abrir caminho para ingerências estranhas no concurso. Ninguém havia pedido isso. Por que o governo fez? Faltou diálogo", diz Dahmer, que nega que a mudança de posição da Associação dos Delegados, que se mostrava anteontem favorável ao fim da greve, tenha relação com as eleições municipais de domingo.Os líderes das entidades se reuniram ontem e chegaram ao consenso de que a paralisação deve continuar. Anteontem, o governo anunciara o envio dos projetos à Assembléia. Pelas propostas, a polícia teria um reajuste de 6,5% no salário base em 2009 e outro de 6,5%, em 2010. Além disso, haveria cerca de 16 mil promoções - há 35 mil policiais civis no Estado -, por meio da extinção da 5ª classe e da transformação da 4ª classe em estágio probatório. A aposentadoria especial seria restabelecida.

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