Aureo Neto/ Agência O Globo
Aureo Neto/ Agência O Globo

Após achar corpo de suboficial, FAB planeja retirada de avião

Caravan C-98, com 11 a bordo, caiu na região amazônica e afundou em igarapé; duas pessoas morreram

Michele Portela, especial para o Estado,

01 Novembro 2009 | 22h58

A Força Aérea Brasileira (FAB) encerrou neste domingo, 1º, as buscas na área do Rio Ituí, no Amazonas, em que o turboélice Caravan C-98 fez um pouso de emergência na quinta-feira, 29, após a localização, às 9h34, do corpo do suboficial Marcelo dos Santos Dias, a 2,5 mil metros do local do acidente. A partir de agora, a operação coordenada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) deverá concentrar-se no resgate da aeronave, que ainda está no fundo do Igarapé Jacupará. "Ainda não sabemos se vamos remover o Caravan dividido em partes ou integralmente", afirmou o comandante do 7º Comando Aéreo Regional (Comar), major-brigadeiro Jorge Cruz de Souza e Melo. "Mas certamente isso levará dias."

 

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Com a retirada do avião, será possível ter mais detalhes sobre o que pode ter causado a pane, que obrigou o piloto a realizar um pouso forçado no Ituí. Nove pessoas sobreviveram, incluindo seis funcionários da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que atuavam numa operação para vacinar comunidades indígenas no Vale do Javari. Também servidor da Funasa, João de Abreu Filho, de 33 anos, foi encontrado morto, dentro da aeronave, no sábado. As operações de busca contaram com o apoio de 150 militares e dez aviões, que atuaram numa área de 18 mil quilômetros quadrados para socorrer as vítimas. No entanto, o resgate só foi possível graças ao alerta dado pelos índios matises, que acharam os sobreviventes durante uma caçada.

 

Por enquanto, o Cenipa evita especulações sobre possíveis causas da queda. Fabricada em 1998, a aeronave foi adquirida da TAM pela FAB, em 2004. "A manutenção do C-98 mostrava que havia totais condições de voo. A última manutenção foi realizada no dia 2 de outubro, quando atingiu 1,6 mil horas de voo e teria ainda 45 horas até passar por nova revisão", afirmou o brigadeiro. O avião havia partido de Cruzeiro do Sul (AC) às 8h30 de quinta-feira, com destino a Tabatinga (AM), onde deveria ter chegado às 10h15, após a missão de vacinação de índios no Amazonas. Pouco antes de uma hora de viagem, porém, o piloto notou uma desaceleração e enviou um alerta de emergência, conforme as autoridades aeronáuticas.

 

Segundo os relatos de passageiros ao Estado, o piloto, o primeiro-tenente Carlos Wagner Ottone Veiga, conseguiu rapidamente localizar uma área, a 10 milhas da rota normal, para tentar o pouso forçado. Após conseguir uma descida com relativo sucesso, os militares iniciaram a operação de retirada dos passageiros, nos poucos instantes em que o Caravan permaneceu na superfície do Ituí. "Ele (o suboficial Dias) acabou preso no avião porque a correnteza fechou a porta e impediu que saísse", lamentou o diretor técnico do Hospital do Juruá, Marcos Melo, com base nas informações dos pacientes.

 

O corpo do suboficial Dias, que tinha 42 anos, deverá ser enterrado no Rio, cidade natal do militar. Ele deixa mulher e três filhos. O traslado do corpo deveria ser feito de Cruzeiro do Sul, no Acre, para Manaus, capital do Amazonas, ainda neste domingo, de acordo com informações do 7º Comar. A mulher do suboficial acompanhou toda a operação em Cruzeiro do Sul.

 

Vacinação

 

De acordo com o chefe de gabinete da presidência da Funasa, Moisés Sousa Santos, a operação de vacinação não sofrerá mudanças. "Não vamos parar as ações. Pelo contrário, precisamos intensificar a vacinação na região", disse. A região do Vale do Javari registra índices endêmicos de malária entre povos indígenas. Uma homenagem ao funcionário morto na queda será realizada pela instituição na cidade de Tabatinga (AM), na quarta-feira.

 

O Ministério da Saúde divulgou nota de pesar pela morte de João de Abreu Filho. "Sem a participação dos colaboradores da Funasa e da excepcional parceria com as Forças Armadas, que nos possibilita levar saúde de qualidade a áreas onde só é possível chegar por meio de pequenas aeronaves ou barcos, comprometeríamos de forma significativa a capacidade de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população e para a redução das desigualdades."

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