Após acidente, Air France troca número do Voo 447 para 445

Nova numeração do voo que conecta o Galeão ao Charles de Gaulle passa a vigorar neste domingo

05 de junho de 2009 | 09h51

A Air France informou na manhã desta sexta-feira, 5, que a partir do próximo domingo, 7, o Voo AF 447, entre os aeroportos Galeão (Rio de Janeiro) e Charles de Gaulle (Paris), receberá a numeração AF 445. O Voo AF 444 entre Paris e Rio de Janeiro mantém a numeração. A nova numeração do voo que conecta sem escalas os dois aeroportos entrará em vigor neste domingo, exatamente uma semana depois do desaparecimento do Airbus da Air France com 228 a bordo, segundo informações da Efe.

  

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A Aeronáutica informou na última quinta que os destroços encontrados a cerca de 700 quilômetros de Fernando de Noronha não são da aeronave, como antes havia afirmado o ministro da Defesa, Nelson Jobim. De acordo com o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Aeronáutica, o pallet (espécie de porta bagagem) içado pela Marinha é feito de madeira. As duas bóias que a Aeronáutica chegou a afirmar que haviam sido resgatadas, na realidade, sequer chegaram a ser levadas a bordo.

 

"Podemos afirmar com 100% de certeza que o material localizado não faz parte da aeronave da Air France. Existem pallets de madeira, mas não é o caso deste avião. Este fato é importante para mostrar o grau de dificuldades que estamos enfrentando. Infelizmente, estamos sujeitos a encontrar, dentro de uma área tão grande, objetos que não passam de lixo. Mas não vamos desistir. O trabalho continua", afirmou o brigadeiro. O pallet será levado até a ilha de Fernando de Noronha e posteriormente descartado.

 

Nesta sexta, o governo francês lamentou a notícia de que os destroços não eram do Airbus. Em uma entrevista à rádio francesa RTL, o secretário francês de Transportes, Dominique Bussereau, disse que a revelação é uma "má notícia". "É evidentemente uma má notícia. Teríamos preferido que fosse do avião e que tivéssemos informações", disse Bussereau.

Mas ele rejeitou a sugestão de que as autoridades brasileiras tenham se apressado ao relacionar a peça à aeronave. "Os brasileiros estão aportando uma ajuda de grande valor. Não é o caso de criticar aquelas e aqueles que estão conosco irmanados na dor", disse o secretário, reagindo à sugestão do entrevistador de que as autoridades brasileiras teriam sido "levianas".

 

Velocidades incoerentes

As declarações do secretário francês foram dadas horas antes de a agência francesa que investiga o acidente divulgar que havia uma "incoerência" nas informações de velocidade medidas pelos aparelhos do avião. Em um comunicado à imprensa, o Centro de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês) afirmou que é possível estabelecer, "a partir da avaliação das mensagens automáticas transmitidas pelo avião, uma incoerência das diferentes velocidades medidas".

A aeronave possui diferentes aparelhos para mensurar a velocidade, e os investigadores disseram que havia "uma incoerência entre essas velocidades". Ainda segundo o comunicado, a investigação permite confirmar que o avião voava em uma zona de forte tempestade no momento em que teria ocorrido o acidente.

A nota diz que "esses são os únicos elementos estabelecidos" e pede que se evitem "todas as interpretações apressada ou especulação".

Na quinta-feira, o diretor do BEA, Paul-Louis Arslanian, afirmou que "qualquer pista sobre o desaparecimento do avião no Oceano Atlântico é "prematura".

 

"Há um exagero de informações, em todas as direções, que são mais ou menos verdadeiras, mais ou menos validadas com extrapolações e tentativas de explicações", afirmou.

 

(Com BBC)

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