Após alagamentos, operários voltam aos prédios do PAC no Rio

Serão feitas obras de vedação e proteção das edificações, após fortes chuvas causarem repetidos estragos

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

09 de março de 2010 | 19h02

Apartamentos doados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do conjunto de prédios do Complexo do Alemão, Rio

 

RIO - Menos de um ano após a inauguração, os operários voltaram aos prédios do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, para realizar obras de revestimento para vedação e proteção das edificações, após a chuva alagar os apartamentos várias vezes.

 

O reparo acontece no Condomínio Itaoca 1.174, inaugurado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio do ano passado, com a entrega de 56 apartamentos. Também participaram da festa a ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República, e o governador Sérgio Cabral (PMDB), que disputará a reeleição. No dia 22 de dezembro, Lula, Dilma e Cabral voltaram ao Alemão para a inauguração de mais 192 unidades habitacionais. No mesmo dia, participaram da entrega das chaves de mais 416 apartamentos na favela de Manguinhos.

 

"Quando chove a água entra pelo teto do meu apartamento. No caso do meu irmão, que também mora no prédio, a sala vira uma piscina", contou a moradora Rosineide Dantas da Silva, de 37 anos, que mora no condomínio do Alemão desde agosto do ano passado. Na parede da entrada dos prédios, uma nota do Consórcio Rio Melhor pede desculpas aos moradores pelo transtorno. "Eles usaram este tijolo de encaixe e colocaram uma resina, mas isso não segura a chuva. Retornamos para fazer novamente o serviço. Isso é pressa em inaugurar a obra", disse um operário, que preferiu não se identificar.

 

No Condomínio Itaoca 1.833, os moradores também reclamam de inundações e rachaduras nos apartamentos. "Fiquei dois dias secando o apartamento depois da chuva. A água entra pela parede da sala e pela grade da cozinha", lamentou a dona de casa Dalva Maria Dias, de 37 anos. No entanto, a situação mais preocupante é a do bloco 2. O prédio foi construído à beira de uma encosta, a calçada cedeu e os operários realizam agora uma obra de contenção para garantir a estabilidade da edificação. "A chuva no final de semana piorou a situação", disse o morador Francisco Benvindo de Araújo, de 66 anos.

 

Antes da obra, a situação no condomínio do Alemão era a mesma da constada pelo Estado no conjunto habitacional do PAC em Manguinhos, também na zona norte da cidade. Anteontem, os moradores protestaram contra as condições de moradia das unidades inauguradas há três meses por conta das inundações nos apartamentos.

 

O PAC está entre os principais programas do governo Lula e tem motivado uma série de viagens do presidente para inaugurações de obras nem sempre concluídas, com a presença permanente da ministra Dilma. No dia 26 de março, o governo lançará o PAC 2, coordenado por Dilma e último projeto a cargo da ministra, que deixará o governo na primeira semana de abril, para entrar na campanha eleitoral.

 

A única exceção no quesito vazamento é o condomínio do PAC no Morro do Cantagalo, em Copacabana, na zona sul, região nobre da cidade. Lá, as rachaduras são as maiores preocupações dos moradores, mas não causaram alagamentos nos apartamentos. "Espero que não seja algo estrutural", afirmou o síndico dos prédios Reginaldo Rodrigues Vidal, de 33 anos. O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura e Agronomia do Rio, Agostinho Guerreiro, disse que fará uma vistoria nos conjuntos do PAC nos próximos dias. "Há um histórico de equívocos na construção dos conjuntos habitacionais do Rio. Vamos verificar qual é o problema neste caso", disse.

 

Emop

 

A Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop), responsável pelo acompanhamento e fiscalização das obras do PAC, informou ontem que as obras de reparação no Complexo do Alemão foram necessárias depois da constatação de que os tijolos utilizados "absorviam umidade" e deixavam os apartamentos sujeitos a alagamentos em casos de chuva forte. No caso de Manguinhos, a vistoria encontrou problemas nas juntas de dilatação, que não estancaram as águas das fortes chuvas da noite de sábado passado. A empresa informou que não terá gastos extras com as obras não previstas, porque o contrato com as construtoras têm garantia de cinco anos.

 

Segundo a Emop, até o fim de março as obras de reparação estarão concluídas. A empresa disse não ter identificado problemas na qualidade do material utilizado nem nas estruturas das construções. O consórcio vencedor da licitação para as construções em Manguinhos é formado pelas empresas Andrade Gutierrez, EIT e Camter Construções, que apresentaram um projeto no valor de R$ 232 milhões. No Alemão, estão encarregadas das obras as empreiteiras OAS, Delta e Odebrecht, que cobraram R$ 493,3 milhões pelas obras.

 

(Colaborou Luciana Nunes Leal)

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