Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Após criar força-tarefa, Bahia coleta água de 3 poços para verificar nível de urânio

Governo não explicou por que limitou coleta a apenas três poços, não deu data para avaliar outros locais nem mencionou prazo para o prometido de monitoramento da água consumida pela população

André Borges , O Estado de S. Paulo

31 Agosto 2015 | 18h09

BRASÍLIA - Uma semana após ser alertado sobre a contaminação de água com alto teor de urânio na região de Lagoa Real, município localizado no sudoeste da Bahia, o governo do Estado, que prometia uma "força-tarefa ampla" para checar a situação, realizou a coleta de água em apenas três poços da região. 

A informação foi confirmada ao Estado pela Secretaria de Meio Ambiente (Sema) do governo da Bahia. O governo baiano não explicou por que limitou sua coleta a somente três poços da região, não deu data para realizar a coleta da água em outros poços vizinhos nem mencionou um prazo para o prometido de monitoramento da água consumida pela população. 

Um dos três poços que tiveram água coletada na semana passada é justamente o poço que, em dois laudos realizados pela estatal federal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em outubro de 2014 e março de 2015, foi constatada a forte presença de urânio, entre outros metais pesados. Esse poço já tinha recebido comunicação de bloqueio pela prefeitura de Lago Real. A Sema não explicou por que, mais uma vez, decidiu inspecionar a água do poço bloqueado, em vez outros reservatórios da região que nunca foram alvos de monitoramento.

Em Lagoa Real, a vigilância sanitária do município possui um cadastro com pelo menos 95 poços próximos à área de influência da mina de urânio explorada pela INB no município vizinho de Caetité.

Na semana passada, o secretário de Meio Ambiente do governo da Bahia, Eugenio Spengler, disse que, sob orientação direta do governador Rui Costa, havia montado uma força-tarefa para ir até a região e que seria realizado "um rastreamento amplo, aumentando o raio de análise", para que a população local tivesse segurança da água que tem consumido.

Spengler afirmou ainda que o governo estadual bloquearia preventivamente os poços da região, para que a população não consumisse mais aquela água, até que os resultados chegassem. Essa comunicação não foi feita. 

A coleta da água dos três poços, segunda a Sema, foi realizada pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Ceped), órgão vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado. A Sema declarou que as amostras das águas serão enviadas a Salvador para, em seguida, serem encaminhas para análise em São Paulo. O governo baiano também não soube informar qual laboratório paulista fará a análise dessa água. Disse apenas que a previsão é de que o resultado saia em cerca de 30 dias. 

A reportagem do Estado percorreu toda a região onde foi detectado o poço contaminado em uma propriedade privada. Há dezenas de poços próximas do sítio, com as mesmas características e profundidade, sendo utilizados diariamente pela população. 

Uma semana atrás, ao saber da denúncia por meio de reportagem do 'Estado', Eugenio Spengler disse que se tratava de uma "situação de perplexidade" para o governo baiano e que este tinha sido surpreendido, "por causa dos índices elevados de contaminação apresentados, que estão muito acima do limite tolerável".  A reportagem pediu entrevista ao governador da Bahia, Rui Costa, que não se manifestou sobre o assunto até o momento. 

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