WELLINGTON MACEDO
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Após ataques, Ceará vai transferir pelo menos 20 detentos para presídios federais

Em meio a crise na segurança pública do Estado, Ministério da Justiça disponibilizará 60 vagas em cadeias federais

Caio Faheina e Teo Cury, O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2019 | 21h50

FORTALEZA - Em meio a crise na segurança pública, o governo do Ceará anunciou na noite deste domingo, 6, que irá transferir nas próximas horas pelo menos 20 detentos para presídios federais. 

O número de transferências pode aumentar nos próximos dias uma vez que, de acordo com o governo cearense, o Ministério da Justiça já confirmou que irá disponibilizar 60 vagas nas cadeias federais. Um preso já foi transferido, mas não foi informado para qual presídio ele foi encaminhado.

A negociação das transferências foi feita diretamente entre o governador Camilo Santana (PT) e o ministro da Justiça, Sérgio Moro. A pasta federal já vem auxiliando o Ceará na crise de segurança cearense com o envio de homens da Força Nacional de Segurança.

Balanço divulgado neste domingo pela assessoria de imprensa do Ministério da Justiça e Segurança Pública indica que os ataques em Fortaleza e cidades da região metropolitana da capital cearense diminuíram no primeiro dia de atuação da Força Nacional. De acordo com a nota da pasta, os episódios, que chegaram a 45 na quinta-feira, 3, e a 38 no sábado, 5, caíram para 23 neste domingo. 

A Força Nacional promove ações de patrulhamento ostensivo, preventivo e repressivo em terminais rodoviários e vias de grande circulação da região desde as 19 horas de sábado. Ao todo, 330 homens e 20 viaturas atuam no Estado.  

Nos últimos quatro dias, Fortaleza e cidades da região metropolitana da capital cearense foram palco de ataques a veículos e explosão. Os ataques aconteceram um dia após o titular da recém-criada Secretaria da Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, ter dito que não reconhecia facções no Estado e que não separaria mais os presos de acordo com a ligação com essas organizações.

As operações são lideradas pela Polícia Militar do Estado do Ceará, mas contam com o auxílio da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e do departamento Penitenciário Nacional (Depen). A Força Nacional permanecerá no Estado por até 30 dias. O prazo, no entanto, poderá ser prorrogado.

A pasta informa, ainda, que nenhum ônibus foi incendiado na capital ou Região Metropolitana desde o início da noite de sábado. Blitze com a inserção de mais 70 policiais militares são realizadas, até agora, em pontos estratégicos de Fortaleza

Reforço. De acordo com a Secretaria da Administração Penitenciária do Ceará, cerca de 80 agentes enviados pelos governos de outros oito Estados do Nordeste reforçarão o sistema carcerário no Estado cearense. Alguns profissionais já chegaram, mas o número não foi confirmado pela pasta. Os agentes fazem parte da Força Penitenciária Integrada de Intervenção (FIPI) e já foram enviados em 2016, quando o Ceará passou por crise no sistema prisional.

A decisão de enviar tropas da Força Nacional ao Ceará em meio a uma onda de ataques do crime organizado foi tomada pelo ministro Sérgio Moro depois de a equipe dele concluir que as forças estaduais não conseguiriam debelar a crise.

Na sexta-feira, o ministro afirmou que a decisão de encaminhar a Força Nacional para o Ceará foi tomada após uma “ponderada avaliação” e que as forças de seguranças federais vão atuar de forma integrada com as estaduais para “servir e proteger a população” cearense.

“O crime organizado não tem como vencer o poder público organizado”, disse Moro após publicar a portaria em que autorizou o envio e permanência por 30 dias de 300 homens e 30 viaturas da Força Nacional. 

Ataque à torre de telefonia no Ceará deixa doze cidades sem sinal

Um ataque a uma torre de telefonia deixou 12 cidades cearenses sem sinal neste domingo. Um equipamento da operadora TIM foi explodido na cidade de Limoeiro do Norte, distante cerca de 202 quilômetros de Fortaleza.

O ataque prejudicou parte da região do Baixo Jaguaribe. Com os danos, habitantes  que são clientes da operadora têm serviços de voz e dados bloqueados. De acordo com a empresa de telefonia, equipes técnicas atuam para restabelecer o sinal, ainda sem previsão. 

Os municípios afetados foram, além de Limoeiro do Norte, Alto Santo, Aracati, Iracema, Jaguaribara, Jaguaruana, Morada Nova, Potiretama, Quixeré, Russas, São João do Jaguaribe e Tabuleiro do Norte. 

O Estado entrou em contato com a Polícia Militar do Ceará para saber se suspeitos pelo ataque foram encontrados, mas não recebeu resposta até as 23 horas deste domingo.

 

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