Após cheia, traficantes 'vigiam' limpeza

Dupla circulava de moto em bairro da zona norte do Rio, enquanto equipes da prefeitura recolhiam entulho; PM não foi vista no local

Marcelo Gomes, O Estado de S. Paulo

13 Dezembro 2013 | 21h12

Enquanto a limpeza de ruas continuava nesta sexta-feira, 13, na Fazenda Botafogo, um dos bairros da zona norte do Rio mais atingidos pela enchente de quarta-feira, 11, uma dupla de traficantes, um deles armado com um fuzil, "vistoriava" o trabalho de operários da prefeitura.

A dupla circulava de moto às margens do Rio Acari pela Rua Projetada - a mesma onde fica a Escola Municipal Jornalista e Escritor Daniel Piza, inaugurada em julho e batizada em homenagem ao ex-editor executivo e colunista de O Estado de S. Paulo, que morreu em 2011. A reportagem esteve nesta sexta-feira de manhã por duas horas em Fazenda Botafogo e não avistou nenhuma viatura da PM. A região, uma das mais perigosas da cidade, fica perto de várias favelas que não foram pacificadas e são dominadas por traficantes ligados à facção Amigos dos Amigos (ADA). A principal delas é o Morro da Pedreira.

Enquanto isso, em Nova Iguaçu, um dos três municípios da Baixada Fluminense que decretaram estado de calamidade pública, moradores do distrito de Austin usam as redes sociais para conseguir doações de alimentos e roupas para quem perdeu tudo na enchente. A ideia foi da estudante de Biologia Vanessa Azevedo, de 21 anos, dona de um salão de festas que foi transformado no ponto de recolhimento de doações. "Já ajudamos mais de cem famílias. Na quarta-feira, como os mercados ainda estavam fechados, tive a ideia de pedir ajuda pelo Facebook", contou.

Mãe de três filhos, o mais novo de 1 mês, a desempregada Jéssica Rodrigues Pinto, de 22 anos, perdeu praticamente todos os móveis e mantimentos e recebeu nesta sexta cestas básicas e colchonetes. "Estou na casa da minha irmã desde terça. Não consegui começar a limpar a minha, que ficou cheia de lama."

Radares. Após participar nesta sexta de uma reunião com o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, oito prefeitos da Baixada Fluminense e secretários estaduais, o governador Sérgio Cabral (PMDB) disse que "não é simples" importar radares, ao comentar o atraso na compra de dois equipamentos de alta precisão para previsão de chuvas no Estado do Rio. A aquisição foi anunciada há três anos, logo após a tragédia de janeiro de 2011. Uma licitação internacional foi realizada para a compra, no valor de R$ 13 milhões. A última previsão é de que os radares comecem a operar em 2014.

Já o prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso, sugeriu a criação de uma "patrulha temporária emergencial" para atuar em casos de desastres naturais. A proposta ainda será avaliada. Na semana que vem, está prevista uma reunião do vice-governador Luiz Fernando Pezão com a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para discutir a liberação de verbas.

Desaparecido. O corpo de João Pedro Jacominho, de 15 anos, que desapareceu na quarta-feira em Bom Jesus do Itabapoana, no norte do Estado, ainda não foi encontrado. Ele estava com o irmão, Edson Lisboa Jacominho, de 26, quando foi tragado por uma cratera aberta pela correnteza do Rio Itabapoana. (Colaboraram Thaise Constancio e Felipe Werneck)

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