Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Após ‘crise’ entre as Polícias Civil e Militar, começa reconstituição do caso Amarildo

Os trabalhos começaram com quatro horas de atraso; pedreiro está desaparecido desde 14 de julho

Felipe Werneck, de O Estado de S.Paulo,

01 Setembro 2013 | 18h45

Intimados a participar da reconstituição policial da sequência de eventos que antecedeu o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza na Rocinha em 14 de julho, PMs sob investigação no caso abandonaram o local antes do seu início, com autorização do chefe da Unidade de Polícia Pacificadora, major Edson Santos. Os policiais, que tinham sido convocados na qualidade de testemunhas, só retornaram após as 18h30 deste domingo, 1, depois que o delegado titular da Divisão de Homicídios, Rivaldo Barbosa, telefonou de dentro da sede da Unidade de Polícia Pacificadora para o comandante geral da PM, coronel José Luís Castro.

 

O oficial contornou a crise entre as Polícias Civil e Militar, ordenando o retorno dos policiais para o início dos trabalhos, que deverão se prolongar pela noite de domingo e madrugada de segunda.

 

O desaparecimento de Amarildo completa 50 dias hoje. As câmeras da sede da UPP para onde o pedreiro foi levado não estavam funcionando e o GPS da viatura policial estava desligado.

 

A reconstituição estava marcada desde a semana passada para as 15h de hoje, e os PMs - além dos quatro que abordaram Amarildo, outros 15 que estavam de plantão naquele dia também foram convocados - deixaram o local às 15h55, sob a alegação de que a equipe da Polícia Civil responsável pelo trabalho não havia "cumprido o horário". Pouco depois, Barbosa chegou à sede da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha às 16h10. Surpreendido com a situação, contatou o coronel Castro, que determinou que seus subordinados voltassem. Por volta de 19h, a reconstituição começou, com quatro horas de atraso.

 

"Não temos hora para terminar. Vão ser feitas várias simulações para esclarecer dúvidas e omissões", disse o delegado. Segundo ele, se as condições de luz inviabilizarem algum trecho da reconstituição, essa parte poderia ser repetida em outra ocasião.

 

Segundo Barbosa, a ordem da reconstituição será cronológica, desde o momento em que Amarildo foi abordado pela primeira vez até aquele em que o pedreiro teria deixado a sede da UPP, segundo a polícia. Está prevista a participação de testemunhas, de moradores e parentes de Amarildo. Não será abordado o trajeto percorrido fora da favela pelo carro da PM que levou Amarildo de sua casa até a sede da UPP. Dados do GPS do rádio da viatura registraram o percurso.

 

Cerca de 100 policiais civis estão no local para participar da reconstituição, entre peritos e agentes da Divisão de Homicídios e da Core (Coordenadora de Recursos Especiais). A Polícia Civil informou que dois PMs pediram para participar encapuzados dos trabalhos.

 

Mais cedo, antes de deixar o local, o advogado dos quatro PMs suspeitos, Marcos Espínola, disse que seus clientes (os soldados Victor Vinícius Pereira da Silva, Douglas Roberto Machado, Jorge Luiz Gonçalves Coelho e Marlon Campos Dias) haviam sido notificados para chegar à sede da UPP ao meio-dia. "Os PMs chegaram ao meio-dia e até agora a Polícia Civil não apareceu. Eles foram liberados com autorização do chefe do Estado Maior (coronel Paulo Henrique de Moraes) pelo motivo de a Polícia Civil não ter cumprido o horário", disse Espínola. A Polícia Militar foi procurada, mas não confirmou nem desmentiu a informação.

 

Em entrevista no início da noite, Rivaldo Barbosa afirmou que a PM sabia desde sexta-feira que a reconstituição começaria às 15 horas. O delegado afirmou ter comunicado o major Edson Santos sobre esse horário.

 

Os policiais até poderiam não participar da reconstituição, mas isso precisaria ser comunicado formalmente, o que não ocorreu. Ao longo da tarde, representantes do Ministério Público ameaçaram representar contra os policiais.

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