Após críticas à Anac, Lula insiste em novas indicações políticas

Governo quer pôr aliado no Departamento Nacional de Transporte (DNIT) mesmo depois das críticas à agência

Leonardo Goy, da Agência Esado,

30 Julho 2007 | 09h32

Em meio à crítica generalizada sobre o excesso de políticos ocupando postos técnicos nas agências reguladoras - a começar pelos apadrinhados na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) -, o governo tenta emplacar mais uma indicação político-partidária em um cargo estratégico. Luiz Antonio Pagot é cotado para ser o novo diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) - e também já pôs o nome à disposição para disputar, no ano que vem, a prefeitura de Cuiabá pelo PR.   Pereira e Saito vão depor na CPI do Apagão nesta semana Jobim tem primeira reunião com Conac nesta segunda Passageiros antecipam check-in, mas movimento é calmo Crise atinge Aeroporto de Cumbica Cumbica fez vizinhança adensar Jobim vai criar gabinete de crise   O cargo é cobiçado porque o orçamento do DNIT para este ano chega a R$ 10 bilhões. E, desta vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende contemplar um aliado recente, o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), de quem Pagot é ex-secretário de Educação.   O nome de Pagot foi encaminhado por Lula em maio, mas o exame de sua indicação ainda está parado na Comissão de Infra-Estrutura da Casa, que tem de aprová-la antes que o nome seja enviado para a apreciação do plenário.   A sabatina de Pagot na comissão deveria ter ocorrido no início de julho, antes do recesso parlamentar, mas acabou sendo adiada, por conta de um pedido de vista feito pelo senador Mário Couto (PSDB-PA). A nova previsão da Comissão de Infra-Estrutura é de realizar a sabatina em 7 de agosto.   Pagot vem sendo criticado por ter trabalhado como assessor do então senador Jonas Pinheiro, entre 1995 e 2002, e, ao mesmo tempo, ter atuado como superintendente de uma empresa privada, a Hermasa Navegação. A assessoria de Pagot considerou normal essa dupla função público-privada e afirmou que naquela época o Senado foi informado dessa outra atividade profissional. Além disso, a assessoria sustentou que a Mesa Diretora do Senado autoriza assessores e secretários de parlamentares a exercerem uma segunda atividade.   Política regional   Um senador da base do governo afirmou ao Estado que a indicação de Pagot também vem sofrendo resistências por causa das disputas políticas regionais. Na avaliação desse senador, com Pagot no DNIT, o grupo de Blairo Maggi ganharia ainda mais peso no Estado.   "O DNIT tem um poder de fogo muito grande", explicou o parlamentar governista, que preferiu não se identificar. "O DNIT pode realizar obras nas rodovias, por exemplo, e fortalecer o grupo de Maggi."   Um dos principais jornais do Mato Grosso, O Diário de Cuiabá, noticiou recentemente que Pagot poderia ser candidato à prefeitura de Cuiabá pelo PR, na eleição do ano que vem. A assessoria de Imprensa de Pagot informou, porém, que ele apenas colocou seu nome "à disposição" do partido, já que o pré-candidato oficial do PR para a prefeitura de Cuiabá é o presidente da Assembléia Legislativa, Sérgio Ricardo.

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