Após críticas de juízes, TRE paulista decide reimprimir cartilhas

Desta vez manual sobre coleta seletiva de lixo não incluirá nome da Jetro Ambiental, contratada para produzir os kits

Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2011 | 06h08

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em São Paulo decidiu reimprimir 300 cartilhas sobre coleta seletiva de lixo distribuídas a 151 juízes, mas desta vez sem incluir o nome da empresa que produziu o material, a Jetro Ambiental. As cartilhas alimentam intensa polêmica entre a cúpula do TRE e magistrados.

Em agosto, conforme o Estado revelou na edição de segunda-feira, 19, a corte orientou os juízes a entregarem a 290 prefeitos o manual com dados sobre os procedimentos, além de informações da empresa e um perfil de seu proprietário, o consultor Jetro Menezes. Juízes protestaram alegando que não é sua função fazer contato com executivos municipais, "nem fazer papel de garoto propaganda da empresa".

Projeto. Na segunda, o TRE anunciou que vai refazer os cadernos e excluir o nome da Jetro, contratada para produzir kits com 300 cartilhas e 300 DVDS. O desembargador Walter Guilherme, presidente do TRE, reafirmou que a corte tem "um projeto estratégico e voltado ao meio ambiente".

Diante da irritação dos juízes, Guilherme declarou. "Respeito a posição dos juízes, mas eu penso que eles têm de ter um papel social." Ele anotou que a finalidade é "promover ações de conscientização da sociedade sobre a necessidade de efetiva proteção ao meio ambiente e oferecer informações básicas para a implantação desse tipo de coleta nos municípios que ainda não dispõem desse sistema".

Valores. Na sexta feira, o desembargador declarou e reiterou que o valor do negócio foi de R$ 14,4 milhões. Ontem, disse ter cometido "um equívoco". "Eu errei a informação, o contrato é de R$ 14,4 mil, ou seja, mil vezes menos."

A Jetro Ambiental, que não havia se pronunciado sobre o montante, emitiu nota informando que o contrato foi fechado por R$ 12 mil, "o que, descontados Imposto de Renda e INSS, somou R$ 9.378,72, como pagamento pelo serviço de palestra para 151 magistrados e 300 kits, contendo cartilha e DVD com orientações". "A pedido do TRE prestamos um serviço técnico e especializado", diz a nota. A Jetro rechaçou que sua meta fosse se promover perante as prefeituras. "Não temos relação ou influência nos critérios e metodologias internas do TRE nem o objetivo de promoção."

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