Andre Dusek/AE
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Após demitir 3º ministro da sigla, Dilma vê PMDB como ''parceiro fundamental''

Presidente faz discurso elogioso à legenda um dia depois de demissão de Pedro Novais, cita Ulysses Guimarães e destaca a importância do governo de coalizão e dos peemedebistas na aprovação de projetos de interesse do Planalto

Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2011 | 00h00

BRASÍLIA

Empenhada em manter cimentada a coalizão com o PMDB, a presidente Dilma Rousseff desempenhou ontem o papel de mestre de cerimônias do Fórum Nacional da sigla, chamada de "parceiro fundamental" do governo. O afago veio menos de 24 horas depois da demissão do ex-ministro de Turismo, deputado Pedro Novais (MA), segundo filiado da sigla a deixar a Esplanada alvejado por denúncias em um intervalo de um mês.

Dilma chegou ao Centro de Convenções Ulysses Guimarães ao lado do vice-presidente Michel Temer, aplaudida pela plateia. Retribuiu com os elogios à legenda. "O PMDB é o parceiro fundamental no meu governo", disse a presidente. "Agradeço a ação firme do PMDB, por meio do apoio que as suas bancadas na Câmara e no Senado prestam ao meu governo, bancadas sempre presentes e leais, quando estão em jogo interesses do País e as demandas do povo brasileiro", afirmou, após exaltar a "eficiência e lealdade" de Temer e falar do relacionamento "estreito e efetivo" que mantém com ele.

Até o fim da manhã, a ida de Dilma ao evento do PMDB não estava confirmada. Mas, para amenizar os problemas que vem enfrentando com o partido, a presidente foi aconselhada a não faltar, principalmente depois da demissão de Novais, quase um mês depois da saída de Wagner Rossi da Agricultura, também atingido por denúncias.

Equívocos. Em seu discurso de cerca de meia hora, a presidente Dilma cometeu pelo menos dois equívocos. O primeiro, ao dizer que o Brasil estava dando sequência à transformação iniciada pela aliança com o partido iniciada em 2003. O PMDB só ingressou formalmente na aliança com o PT no segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No primeiro mandato, apenas alguns dissidentes do PMDB eram aliados do petista.

"É hora de fazer cada vez mais. Por isso conto com os senhores, na maior tradição do PMDB", emendou Dilma. Na plateia, bastante paparicado, estava o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que emplacou o substituto de Novais.

O segundo engano foi quando a presidente Dilma destacou que democracia e justiça social são vínculos indissolúveis, lembrando palavras de Ulysses Guimarães. "O Estado de direito não pode conviver com o Estado de miséria", ressaltou. A presidente, no entanto, errou ao citar o slogan do seu governo, quando falava sobre o combate à desigualdade. "Acredito no lema do meu governo: país rico é país sem miséria". O slogan oficial é "País rico é país sem pobreza".

Dilma não deixou de agradecer aos peemedebistas que lhe deram apoio na eleição de 2010 e lembrou que faz um governo de coalizão. Pediu ajuda para que o PMDB e os demais partidos da base ajudem a aprovar o Pronatec - Programa nacional de acesso ao ensino técnico e emprego, que aguarda votação do Congresso - e fez um balanço de várias atividades do governo, defendendo melhorias na educação, saúde e segurança.

Ela encerrou o discurso fazendo elogios à articulação política promovida por Temer, exaltando os méritos do PMDB e a importância de governos de coalizão. "Muitos consideram mais fácil comandar governos de partido único. Aqui em nosso País, essa não é a maneira de que nós gostamos. Não é a maneira democrática de governar", disse. "Somos um governo de coalizão e esse governo de coalizão exige de nós maior capacidade de articulação política, maior democracia nas nossas relações, mas ele também reflete a pluralidade e a complexidade da própria sociedade brasileira e também as características participativas da democracia brasileira." Dilma ainda frisou: "Só estamos aqui porque esse é um país democrático e eu sou a primeira mulher a exercer a presidência da República."

BATE E AFAGA

Tolerância zero

No dia seguinte à demissão de Alfredo Nascimento (PR) dos Transportes, Dilma mandou um recado para a base: "Aliados não podem ser mantidos a qualquer preço. Num governo, quem cometer erro cai". Dias depois ensaiou afagos ao PR.

Inocência

A presidente divulgou carta lamentando "profundamente" a saída de Wagner Rossi (PMDB) da Agricultura. Afirmou que ele "deu importante contribuição ao governo" e se queixou de ele não ter "contado com o princípio da presunção da inocência, diante das denúncias".

Irritação

Dilma deixou claro que Pedro Novais (PMDB) não continuaria no posto antes mesmo da oficialização de sua saída do Ministério do Turismo. Ontem, porém, já afagava o principal partido aliado. "O PMDB é o parceiro fundamental do meu governo."

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