Após denúncia, contador desaparece de escritório

Na quinta-feira, quando leu o noticiário sobre a fraude contra Verônica Serra, o contador Ademir Estevam Cabral, de 52 anos, chegou cedo ao prédio 152 da rua Dom José de Barros, centro de São Paulo. Eram 7h30 da manhã. Estava apressado. Deixou o local carregando pastas e arquivos pessoais com listas de clientes e serviços. Foi a última vez que foi visto no escritório onde dava expediente.

Roberto Almeida, Bruno Tavares e Andréa Jubé Vianna, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2010 | 00h00

"O Ademir levou tudo e sumiu", conta Helena Barbosa, titular do HB Assessoria e Contabilidade, apontando para a sala que o contador usava. Restaram a mesa redonda, quatro cadeiras e a mesinha encostada na parede.

Cabral não é sócio de Helena, só dividia o conjunto com ela. Ele está sob suspeita na trama que culminou com a violação de dados fiscais da filha de José Serra. Seu nome foi apontado por outro contador, Antonio Carlos Atella, que formalmente requereu à Delegacia da Receita em Santo André cópias de declarações de rendas de Verônica.

Verde. O contador morou em Francisco Morato, onde é sócio em uma casa de ração animal e exerce militância política - é filiado ao PV desde 25 de setembro de 2007. Militantes do partido dizem que a família dele teria ligações com o PT em São Paulo. "Não tenho como comprovar, mas é o que temos ouvido da base", declarou Joel de Aquino Nunes, dirigente do PV em Morato.

Cabral e Atella trabalham juntos, mas em escritórios separados. Atella afirmou que Cabral lhe entregou um lote com 18 pedidos de cópias de declarações de pessoas físicas. O nome de Verônica estaria na lista. "Isso é mentira, ele só pode estar louco", desmentiu Cabralanteontem.

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