Após denúncia, CPI vai convocar diretora da Anac

Ex-presidente da Infraero acusou Denise Abreu de defender transferência do transporte de carga para Ribeirão Preto para beneficiar empresário

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2007 | 00h00

As CPIs do Apagão Aéreo do Senado e da Câmara decidiram transformar em alvo das suas investigações a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e, principalmente, a diretora do órgão Denise Abreu. O relator da CPI do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), disse que chamará Denise para depor; o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), da CPI da Câmara, também vai convocar a diretora da Anac. A mudança de foco foi provocada pelas acusações de favorecimento feitas contra Denise pelo ex-presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), José Carlos Pereira.Em entrevista ao jornal O Globo publicada ontem, Pereira disse que a diretora da Anac trabalha para beneficiar um de seus amigos, o empresário Carlos Ernesto Campos, ao tentar transferir o setor de cargas dos Aeroportos de Congonhas e Viracopos, em Campinas, administrados pela Infraero, para o Aeroporto Leite Lopes, de Ribeirão Preto, gerenciado pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp).Campos é dono da empresa Terminais Aduaneiros do Brasil (Tead), que em 2003 venceu licitação do governo estadual para construir e explorar o terminal de cargas no Leite Lopes.''''Vamos estudar tudo isso para ver o que fazer e acionar a Polícia Federal, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União'''', disse Demóstenes, ao deixar ontem o Ministério da Defesa, onde apresentou ao ministro Nelson Jobim seu relatório parcial sobre o caos aéreo. ''''Acredito que o depoimento de Denise Abreu permitirá conhecer mais as profundezas da crise aeroportuária brasileira'''', afirmou o deputado Leite. Ele vai apresentar hoje de manhã o requerimento para convocá-la.Sem criticar diretamente Denise, Demóstenes lamentou a saída de Pereira da presidência da Infraero - o brigadeiro foi substituído formalmente ontem pelo engenheiro Sérgio Gaudenzi. Para o senador, Pereira era a ''''parte boa, honesta, decente e técnica'''' da empresa. ''''Mas, em relação a nomes, nós temos que dar crédito para quem assume'''', afirmou, referindo-se ao novo presidente.De acordo com o senador, a Infraero precisava de uma grande ''''limpeza''''. Mas ele ressaltou que o único que não estava entre os envolvidos em suspeitas de corrupção na estatal era o brigadeiro.No relatório parcial que apresentou ontem ao ministro, Demóstenes defendeu mudanças na lei das agências reguladoras, de forma que seus diretores possam ser demitidos em caso de corrupção ou incompetência para o cargo. Para o senador, houve claro favorecimento, por parte da Anac, às duas maiores empresas aéreas do País - TAM e Gol.DEPOIMENTOSA CPI do Apagão no Senado ouvirá hoje o depoimento de sete procuradores da República que atuam em 7 dos 14 Estados em que teriam sido registradas irregularidades na Infraero. O ministro Jobim será ouvido amanhã pela comissão amanhã. TÂNIA MONTEIROFRASES''''O depoimento de Denise Abreu permitirá conhecer mais as profundezas da crise aeroportuária brasileira''''Otávio LeiteDeputado (PSDB-RJ)''''Ele (o brigadeiro José Carlos Pereira, que acusou Denise) era a parte boa, honesta, decente e técnica (da Infraero)''''Demóstenes Torres Senador (DEM-GO)

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