Após denúncia de achaque, quadrilha vai para RDD em cadeia

Abadía, Girotti e Barbosa terão rotina mais dura em MS; filho do presidente Lula seria uma das vítimas do grupo

João Naves de Oliveira, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2008 | 15h37

A partir desta quarta-feira, 6, quatro detentos do Presídio Federal de Campo Grande, que articularam um plano de fuga da penitenciária baseado em ataques contra altos funcionários federais e estaduais, começam a cumprir rotina mais dura na cadeia. Eles foram enquadrados no RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), segundo determinação da juíza da 3.ª Vara Federal de Mato Grosso do Sul, Raquel Domingues do Amaral Corniglion.   Veja também: Diretor do Depen confirma plano de fuga de Abadía e Beira-Mar Após aviso de 'colaborador', Magno Malta pede proteção policial Diplomacia e barreiras jurídicas empacam estradição de Abadía   A medida não atingiu o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernadinho Beira-Mar, porque ele já estava incluído no RDD, por decisão do titular da 3.ª Vara Federal, Odilon de Oliveira. O mega narcotraficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía e os assaltantes do Banco Central de Fortaleza, José Reinaldo Girotti e João Paulo Barbosa, são os novos presos do local, que cumprirão "por tempo indeterminado", as restrições do regime.   Entre elas estão celas diferentes das comuns, onde o detento não precisa sair para tomar banho de sol, e duas visitas de parentes ou advogados por semana com no máximo duas horas de duração. Essa situação é conseqüência direta do trabalho realizado durante a Operação X, desencadeada segunda-feira desta semana pela Polícia Federal e Ministério Público Federal, em Nova Andradina (MS), São Bernardo do Campo (SP) e Campo Grande.   Além dos quatro internos do presídio federal, foram presos Ivana Pereira de Sá, ex-mulher de Beira-Mar; Leandro Oliveira dos Santos e Leonice de Oliveira, ambos presos em Nova Andradina, parentes de João Paulo Barbosa; e o advogado Vladimir Búlgaro, que representa Girotti. Eles são acusados de atuarem como mensageiros de Beira-Mar, Abadía, Barbosa e Girotti, e continuam presos na Superintendência da PF em Campo Grande.   O grupo todo já foi interrogado durante a segunda-feira e a madrugada de terça, mas negou as acusações e apelou pelo direito de falar sobre o assunto somente perante o juiz. Apenas um nome de provável vítima da quadrilha foi citado na PF, segundo advogada Lia Gama, defensora de Ivana Pereira de Sá, que acompanhou o interrogatório da cliente e de Beira-Mar.   Ela disse que uma das perguntas feitas pela PF foi a de que "se o filho do presidente da República, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, era um dos alvos do plano". A PF não confirma essa informação, alegando sigilo judicial, que está vigorando desde segunda-feira última quando a juíza Raquel Corniglion impediu que os delegados da Operação X concedessem entrevista coletiva à imprensa.   A decisão, segundo ela, foi adotada para preservar a integridade física das pessoas supostamente alvos do bando. A apuração dos nomes foi feita durante os últimos cinco meses, através de recursos também mantidos em segredo, autorizados "por Brasília", conforme acredita um informante, tido como um dos citados na lista negra da quadrilha desarticulada, que agia dentro do Presídio Federal de Campo Grande.

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