Após desfile, polícia leva coleção de estilista

Mandado de busca e apreensão contra Lorenzo Merlino causa tumulto

O Estadao de S.Paulo

19 de janeiro de 2008 | 00h00

Num dia de desfiles mornos e poucas celebridades, a São Paulo Fashion Week (SPFW) foi sacudida por um caso de polícia. Por volta das 16 horas de ontem, um oficial de Justiça e seis policiais militares entraram no camarim do estilista Lorenzo Merlino. Traziam um mandado de busca e apreensão de mercadorias expedido pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo. Só depois de 40 minutos de discussão e da intervenção de Paulo Borges, o diretor do evento, é que as modelos de Merlino tiveram autorização para pisar na passarela. Ainda assim, os holofotes continuaram voltados para a confusão nos bastidores.Após mais de três horas de incertezas, agentes da Polícia Federal saíram do prédio da Bienal carregando seis caixas de papelão. A informação, confirmada pela oficial de Justiça Isabel Esther de Oliveira Costa, do TRT, era de que toda a coleção de 2008 havia sido confiscada para garantir o pagamento de dívidas trabalhistas. Segundo ela, a blitz foi resultado de uma ação movida em 2002 por um funcionário de um salão de beleza, do qual Merlino seria sócio. "Isso não quer dizer que ele é desonesto", ponderou. A oficial de Justiça também fez questão de dizer que a ida da "força-tarefa" à SPFW não teve intenção de constranger o estilista. "Tentamos encontrá-lo diversas vezes e, como não conseguíamos, viemos até aqui."Um dos advogados de Merlino, Remo Bataglia, admitiu que seu cliente responde a um processo trabalhista. Na data da ação, os pais de Merlino eram sócios do L?Equipe, um badalado salão de beleza que funcionava na Rua Estados Unidos, nos Jardins. No início da noite, a assessoria do estilista informou que a dívida contestada na Justiça gira em torno de R$ 80 mil.Após o tumulto provocado pela repentina chegada dos policiais e a apreensão das peças, Merlino deixou o prédio de Bienal pela escada de incêndio e não deu declarações sobre o episódio. Para completar o pesadelo do estilista, seu desfile foi considerado um dos piores da temporada - recebeu nota 5 no Júri Estado.Aos 35 anos, Merlino tem uma carreira parecida com a de outros estilistas de sua geração. Formado em moda pela Faculdade Santa Marcelina, chegou a fazer estágio no Studio Berçot de Paris, um dos mais renomados do mundo. De volta ao Brasil, lançou a marca que leva seu nome e entrou no roteiro dos desfiles. Ele estreou na SPFW no lançamento das coleções de verão 2002/2003. É considerado um estilista irregular, que às vezes acerta a mão e, em outras, compromete a qualidade da coleção. BRUNO TAVARES, LETÍCIA SANTOS E VALÉRIA FRANÇA

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