Após dez dias de júri, ex-delegado pega 27 anos por morte de colega

Corregedor da PF, morto em 98, apurava achaques cometidos por Leonel Cruz

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

27 Setembro 2007 | 00h00

Após dez dias, no mais longo júri da Justiça Federal do País, o ex-delegado da Polícia Federal Carlos Leonel da Silva Cruz foi condenado ontem a 27 anos de prisão, por 5 votos a 2, pelo Tribunal do Júri. Cruz é acusado de ter mandado matar o então delegado-corregedor da PF Alcioni Serafim de Santana, que estava investigando achaques que teriam sido cometidos por Cruz, que já havia sido condenado por causa de uma dessas extorsões apuradas por Alcioni. O crime ocorreu em maio de 1998. Alcioni saía de sua casa na zona norte de São Paulo quando foi surpreendido por dois homens armados. Os pistoleiros atiraram duas vezes. Presos, eles contaram que haviam sido contratados por Gildenor Alves de Oliveira. Este acusou Cruz e o ex-sargento da PM Sérgio Bueno como os mandantes do assassinato. O procurador-regional da República José Pedro Gonçalves Taques, que fez a acusação, defendeu que o réu agiu por motivo torpe e para assegurar a impunidade de outro crime. Alegou ainda outro agravante: o fato de o réu ter sido mandante do crime. Os jurados acolheram todas as teses da acusação. ''''A pena é justa, pois um servidor público honesto foi assassinado aos 42 anos'''', disse o procurador da República. Já o advogado de Cruz, Eduardo Cesar Leite, disse que vai recorrer: ''''Houve um incidente durante os dez dias do julgamento, o que o torna nulo.'''' Ele, porém. não revelou qual foi o incidente. Esta foi terceira vez que Cruz foi julgado. Na primeira, foi condenado a 28 anos de prisão . Na segunda, foi absolvido por quatro votos a três. Os desembargadores da 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) decidiram anular esse segundo veredicto porque os jurados ''''decidiram manifestamente contra a prova dos autos''''. Ou seja, havia provas de que o réu foi o mandante do crime, mas, mesmo assim, os jurados absolveram o delegado. Em setembro de 2005, Cruz teve sua prisão novamente decretada pela Justiça. Fugiu e só foi capturado no dia 31 de julho. Dos outros réus, três foram condenados e um, absolvido, aguarda novo julgamento. Bueno foi condenado a 24 anos de prisão e Gildenor de Oliveira a 19 anos. Um dos pistoleiros, Gildásio Roma foi condenado a 25 anos. Carlos da Silva Gomes deve ser julgado de novo .

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