Após dia de caos, moradores da zona norte do Rio calculam prejuízos

Prefeitura diz que Comlurb recolheu 70 toneladas de lixo em uma das regiões mais atingidas pela chuva

Marcelo Gomes e Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

12 Dezembro 2013 | 11h22

RIO - Um dia após o temporal que levou caos à zona norte do Rio, as principais vias da região já não apresentam pontos de alagamento. No entanto, ainda há muito lixo e lama acumulados nas ruas. Moradores que tiveram suas casas invadidas pela água tentam limpar a sujeira e contabilizar os prejuízos. Jéssica Coelho, de 21 anos, desempregada, mora com as duas filhas, de 6 e 2 anos, em um barraco à beira de um rio no Morro do Chaves, em Barros Filho (zona norte). Ela contou que a água começou a invadir sua casa no início da madrugada de quarta-feira, 11.

"A água passou da minha cintura, perdi cama, sofá, guarda-roupa, geladeira, TV e mantimentos. A maioria das coisas minha mãe consegue no lixão, porque trabalha com reciclagem, mas o guarda-roupa, que eu ainda estou pagando, já perdi. Agora, não sei como vou fazer para criar minhas filhas. Quero sair daqui, mas não tenho para onde ir. Já é a terceira enchente em que perco tudo", lamentou.

A aposentada Eliana Maria da Conceição, de 70 anos, disse que só conseguiu salvar a TV e a geladeira porque contou com a ajuda de vizinhos que carregaram os equipamentos para casas de conhecidos na parte alta do morro. "Estamos dormindo em uma tábua, porque o colchão está todo molhado", afirmou Eliana, que mora em um barraco de apenas dois cômodos com a filha e três netos.

Garis da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) ainda trabalham na limpeza das ruas e caminhões retiram entulhos das calçadas. Balanço divulgado na manhã desta quinta-feira, 12, pela prefeitura informa que 70 toneladas de lixo foram recolhidas pela Comlurb nos bairros da zona norte. Cerca de 2 mil profissionais da companhia de limpeza, das secretarias de Obras e Desenvolvimento social, da Defensa Civil e da Subprefeitura da Zona Norte trabalham na recuperação das áreas atingidas. Segundo a prefeitura, mais de 5 mil agentes comunitários estão envolvidos na força-tarefa. Cem máquinas são usadas para limpeza, desobstrução de galerias e bueiros, desassoreamento e restabelecimento de pontos de iluminação.

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