Após dia de caos no Rio, não há mais ocorrências de ataques

Após uma quinta-feira conturbada e tensa no Rio devido aos ataques a ônibus e bases da polícia que resultaram em 18 mortos e 25 feridos, esta sexta-feira, 29, houve uma redução no número de incidentes - foram registrados dois ataques nesta madrugada, sem vítimas - e até às 18 horas desta sexta-feira não havia informações de novos ataques.Por volta das 2 horas desta sexta-feira, dois motociclistas dispararam contra um posto policial na Avenida Kennedy, em Duque de Caxias e, em seguida, atiraram também contra o Centro Cultural Oscar Niemeyer, no centro. Houve perseguição e uma motocicleta foi abandonada com a chave no contato, na entrada da favela Mangueirinha. Na favela da Rocinha, apenas uma viatura estava parada na entrada do morro na manhã desta sexta-feira, mesma situação do Complexo da Maré, na Linha Vermelha, onde policiais trocaram tiros com suspeitos na madrugada.A última noite foi considerada tranqüila pela Polícia Militar, apesar de duas trocas de tiros com suspeitos e um ônibus queimado, sem vítimas. Policiais permanecem em estado de alerta nos batalhões e realizam operações pontuais em favelas, disse um porta-voz da PM.Nos ataques de quinta-feira, 28, ônibus foram incendiados e postos da polícia e delegacias foram alvo de disparos, espalhando pânico entre a população. No mais grave, o incêndio de um ônibus da Viação Itapemirim, sete pessoas morreram carbonizadas na Avenida Brasil, num episódio classificado pelo comandante da PM do Rio, Hudson de Aguiar, como "desumano". Sem transporteApós recolherem seus veículos por volta das 21 horas da noite da última quinta-feira, segundo a Agência Brasil, as empresas de transporte público voltaram a colocar, gradativamente, seus coletivos em circulação nesta manhã, mas ainda havia muitos pontos de ônibus lotados nas zonas norte e oeste da cidade e na região metropolitana. O transporte alternativo dos perueiros também não funcionou na madrugada e voltou pela manhã. O comércio fechou mais cedo na quinta-feira e a Petrobras liberou seus funcionários antes do final do expediente. PromessaEm vista do medo de novos incidentes, o secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, prometeu, ainda nesta tarde, que os ataques não voltarão a ocorrer. "Não vai acontecer mais nada, estou convencido disso."Apesar de negar que haja divergências com o secretário de Segurança, Roberto Precioso, ele, classificou de "inocência olímpica" alguém acreditar na possibilidade de os ataques terem sido motivados pela mudança de governo, tese defendida na última quinta-feira por Precioso. Segundo Santos, informações do serviço de inteligência da polícia mostram que não há ordens para novos ataques. "Quero tranqüilizar a população. Não acontecerá uma ação ordenada. Pode haver coisas pontuais, oportunistas, mas com certeza teremos um réveillon tranqüilo", disse o secretário. "O que houve foi uma demonstração de força. Força que deve ser insuficiente para retomar favelas controladas por milícias, mas que é suficiente para inquietar a população."Principais ataquesA seguir, os principais ataques registrados no Rio na quinta-feira:- Dois policiais militares são atacados na Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, zona oeste. Um PM morre, outro fica ferido e um suspeito é morto- Criminosos disparam contra uma cabine da PM em Botafogo, na zona sul, matam uma vendedora ambulante, que trabalhava próximo aos policiais- Dois ônibus são incendiados na Avenida Brasil. Em um deles, não há feridos. No outro, sete passageiros morrem carbonizados e dois ficam desaparecidos- A Delegacia de Polícia de Campinho, na zona norte, é metralhada. Um homem que registrava queixa no local morre- A Delegacia de Repressão a Entorpecentes do Grajaú, na zona norte, é metralhada- Um PM que estava parado em um veículo é mortoEste texto foi alterado às 19h26 para acréscimo de informação

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